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sábado, 30 de outubro de 2010

Cães ajudam no desenvolvimento de Crianças Autistas.

O cão não é apenas o melhor amigo do homem. Estudo revela que o animal treinado pode ajudar crianças que possuem transtornos de desenvolvimento.
Pesquisadores da Univesidade de Montreal, no Canadá, descobriram que eles podem reduzir significativamente os níveis de ansiedade em crianças autistas.
"Nossos resultados mostraram que os cães tinham um claro impacto sobre os níveis do hormônio do estresse das crianças", disse Sonia Lupien, a autora do estudo Sonia Lupien.
Para detectar os níveis de estresse, Sonia e sua equipe mediram a quantidade de cortisol presente na saliva de 42 crianças autistas. O cortisol é um hormônio produzido pelo corpo em resposta ao estresse e é detectado na saliva.
"Nós observamos o nível de estresse das crianças em três condições: antes e durante o convivívio com o cão e depois quando ele foi embora", afirmou. Durante todo o experimento, os pais preencheram um questionário indicando o comportamentos dos filhos durante as três etapas. Em média, os pais apontaram 33 comportamentos problemáticos antes de receber o cão e 25 com a presença do animal.
De acordo com a publicação Daily Mail, o estudo publicado na revista Psychoneuroendocrinology também descobriu que os cães podem ajudar nas suas habilidades sociais. A crianças autistas encontram dificulades para entender emoções e sentimentos das outras pessoas.
Os pesquisadores entendem que seria uma solução relativamente simples para ajudar as crianças e suas famílias a lidarem com essas dificuldades.
Fonte: Terra - Saúde - Bem Estar.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pitoco Cético

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Diagnóstico malfeito banaliza tratamento para Déficit de Atenção (TDAH)




Venda de remédios para a doença aumentou 1.616%;
especialistas apontam dificuldades no diagnóstico

O medicamento usado no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) - vendido como Ritalina (Novartis) e Concerta (Jassen-Cilag) - está entre as substâncias controladas mais consumidas no País. Entre 2000 e 2008, o número de caixas vendidas passou de 71 mil para 1,147 milhão - aumento de 1.616%. A alta no consumo suscitou questionamentos sobre a banalização do uso do remédio à base de metilfenidato entre crianças e adolescentes.
Alguns especialistas apontam a demanda reprimida por um tratamento que existia e ainda existe no Brasil como causa do inchaço nas vendas. Para outros, é resultado de diagnósticos malfeitos - crianças que não se encaixam no padrão de aprendizagem e comportamento estariam sendo "domadas" à base de psicotrópicos.
O que alimenta ainda mais a polêmica é a dificuldade de diagnosticar o TDAH. Não há um exame definitivo. Os médicos se baseiam em relatos subjetivos de pais e professores sobre o comportamento da criança e num questionário com 18 sintomas relativamente comuns entre jovens, como falar em demasia, interromper conversas e dificuldade para esperar.
"O diagnóstico deve ser feito por um médico treinado e envolve outros especialistas, como psicólogo, psicomotricista e fonoaudiólogo. É preciso descartar outros problemas que afetam o comportamento e o aprendizado", explica o psiquiatra infantil Francisco Assumpção, da Universidade de São Paulo (USP). "Mas muitas vezes os critérios são preenchidos pela própria escola ou até mesmo pelos pais, que me procuram apenas para pedir o remédio."
O analista legislativo Luís Fernando Leite dos Santos conta que sua filha de 16 anos foi recentemente diagnosticada como portadora de TDAH por ter apresentado alterações de humor e queda de rendimento no último bimestre escolar. "Embora o relatório da escola afirmasse que o nível de dispersão nas aulas não era tão relevante, o médico receitou o remédio e ainda disse que eu poderia pegá-lo no posto de saúde", diz o pai, inconformado.
No caso do garoto João Petrika, de 12 anos, a simples mudança de escola fez milagres. Há cerca de quatro anos ele foi diagnosticado como hiperativo e ingressou num programa de tratamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Fez terapia e tomou remédios. Mas o desempenho escolar só melhorou neste ano. "Antes ele evitava a escola. Agora que mudou de colégio, tem apenas três faltas", conta o pai Antonio Petrika. Há dois anos sem remédios, João tem outra explicação: "Gosto mais desta escola porque os professores são melhores. Na anterior, gritavam o tempo todo."
O TDAH é um dos transtornos mentais mais comuns em crianças e se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Estudos indicam que a prevalência na população é de 5%. Isso significa que numa sala de aula com 40 alunos, pelo menos 2 teriam a doença. "A dificuldade de aprendizado passou a ser sinônimo de problema com a criança, quando às vezes é da escola", afirma Assumpção.
Pais têm dificuldades de impor limites aos filhos
É na escola, onde a criança desenvolve grande parte de seu processo de socialização, que o uso da Ritalina vem sendo mais percebido. A reportagem ouviu relatos de educadores que confirmam a incidência do uso do medicamento em até 18% dos alunos de uma mesma sala de aula. Para os professores, há casos em que o remédio é realmente necessário - nos de alunos hiperativos -, mas a banalização é uma realidade. "A causa é o imediatismo de muitos pais e neurologistas, que querem medidas rápidas", afirma Raquel (nome fictício), de 48 anos, professora de ciências de uma escola particular de classe média alta.
Alguns educadores dizem que o uso indiscriminado do remédio está vinculado à dificuldade que algumas famílias têm de impor limites aos filhos. "É comum ouvirmos ‘não sei o que faço com meu filho. Ele toma medicação, mas não sei o que fazer’", conta Isadora (nome fictício), de 43 anos, professora de história do ensino fundamental. "Ouço pais falando ‘meu filho tem 13 anos e mudou muito. Vou levá-lo ao neurologista e ao psiquiatra.’ Ele tem 13 anos, é claro que mudou: é a idade de ser agitado", diz a professora de história Larissa (nome fictício), de 32 anos. "Se criassem uma escola que ensinasse os pais a educarem as crianças, seria um sucesso. Muitos priorizam a carreira e, quando percebem mudanças nos filhos, decidem levá-los ao médico."
As escolas ouvidas afirmam não ser contra o medicamento - o desafio é mostrar aos pais que é possível tentar métodos menos invasivos, como terapia e atividades físicas.
Esse foi o caminho escolhido pelo pediatra da Unifesp José Artur Medina, pesquisador do TDAH, que convive com o transtorno na família. Além dele próprio, seu pai e seu filho são portadores. "Já fui reprovado, preso, me envolvi com drogas. Cheguei a experimentar Ritalina e notei um ganho cognitivo. Mas muda a personalidade", diz. Para o filho de 5 anos, Medina receitou suplementos de ômega 3 e aulas de judô. Exercícios físicos, diz ele, estimulam uma parte do cérebro menos desenvolvida em crianças com TDAH e isso proporciona grande melhora.
A pediatra Maria Aparecida Moyses, da Universidade Estadual de Campinas, também critica a padronização do pensamento e aprendizado. "Nós não somos assim."

Fonte: Agência Estado
Por Karina Toledo e Mariana Mandelli

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

III CICLO DE PALESTRAS SOBRE INTERVENÇÕES COM AUTISMO



• Dia 19 – Sexta Feira - 18:30 às 20:30 horas
Entendendo a Comunicação no Autismo: transformando as atividades do dia-a-dia em oportunidades para aprender comunicaçãoLuciene de Oliveira Vianna, Educadora e diretora do centro conviver

• Dia 19 – Sexta Feira - 20:45 às 21:45 horas
O uso de recursos visuais no ensino de habilidades sociais.Manuela Christ Lemos ,psicóloga, pós graduada em Psicologia Clínica:Terapia Comportamental e Cognitiva

Luana Luzia Souza, educadora do Centro Conviver, graduanda em psicologia

• Dia 20 - Sabado - 8:00 às 9:00
Trabalhando Comunicação expressiva através de recursos do PECS (Picture exchange communication system) Izaniele Marquetti, educadora do Centro Conviver, graduanda em psicologia

Caroline Bordin, educadora do Centro Conviver, graduanda em psicologia

• Dia 20 - Sabado - 9:00 às 10:00
Entendendo a agressividade no autismo: fundamentos e intervenções.Bruno Martins Antonio, Psicólogo,pós-graduado em Psicologia Analítica e Especializando em Neurociência

Enéas Michel Somacal, Educador do Centro Conviver

• Dia 20 - Sabado - 10:15 às 11:15
O papel da estimulação sensorial tátil nos programas clínico-educacionais de intervenção diária Maria Ines Silva, Licenciada pela Faculdade de Arte do Paraná, mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto em Portugal.

Paola Borges , Educadora do Centro Conviver, graduanda em psicologia pela UTP

Dia 20 - Sabado - 11:15 às 12:15
Mini-oficina de música: vivência prática de uma sessão de musicoterapiaGizely Delmônico, Musicoterapeuta pós-graduada em Terapia Corporal e Relacional sistêmica

Dia 20 - Sabado - 12:15 às 13:30
Almoço
  • Dia 20 - Sabado - 13:30 às 14:30
Organização e execução de propostas musicais para grupos de crianças pequenas com AutismoLuciane Cristina Zandoná, Musicoterapeuta e Pós-graduanda em Educação Especial com enfâse em inclusão

Claudimara Zanchetta, Musicoterapeuta e Terapeuta Corporal Reichiana

• Dia 20 - Sabado - 14:30 às 15:30
Autismo e Inclusão: Discutindo o papel do acompanhante terapêutico no ambiente escolar Verônica Tasch Dias , Educadora do Centro Conviver, Graduanda em Psicologia pela UFPR

Yanne Ribeiro Gonçalves , Educadora do Centro Conviver, Graduanda em Psicologia pela UFPR

• Dia 20 - Sabado - 15:30
Intervalo

• Dia 20 - Sabado - 16:00 às 17:00
Abordagem Educacional TEACCH: Possibilidades na execução de tarefas através de Estações de Trabalho.Luis Paulo Moura, Pedagogo, pós-graduado em psicopedagogia

Elisangela de Lima, Educadora do Centro Conviver

CONTATO E INSCRIÇÕES


JORNADA@CENTROCONVIVER.COM.BR

• Valor R$ 100,00

• Palestras Individuais de 1 hora R$ 10,00/2 horas 20,00


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pitoco e o problema da professora

Cães Ajudam a diminuir Estresse em Crianças Autistas


Segundo uma nova pesquisa, cães-guias especialmente treinados podem reduzir o estresse em crianças com autismo.
Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que estes cães podem ajudar crianças autistas em situações sociais e a melhorar a sua rotina diária. Mas o novo estudo é o primeiro a mostrar que eles podem trazer benefícios fisiológicos também.
O autismo é uma série de condições em que as crianças têm problemas para se comunicar, interagir com os outros e se comportar adequadamente em situações sociais.
Os pesquisadores mediram os níveis de cortisol na saliva de 42 crianças com autismo. Normalmente, a produção de cortisol atinge picos cerca de 30 minutos depois que uma pessoa acorda, e diminui ao longo do dia.
A resposta do cortisol ao acordar das crianças foi medida antes, durante e após o cão-guia ser introduzido na família. Os cães foram treinados para serem obedientes e manterem a calma, mesmo em ambientes caóticos.
Os resultados mostram que os cães tiveram um grande impacto sobre os níveis do hormônio do estresse das crianças. Os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, diminuíram nas crianças após um cão-guia ser introduzido na família. Os cães também melhoraram o comportamento das crianças, reduzindo o número de problemas relatados pelos pais.
Nas duas semanas antes de os cães serem trazidos às casas, os níveis de cortisol das crianças aumentaram 58% durante os primeiros 30 minutos acordados. Mas quando os cães estavam presentes, essa resposta foi reduzida para um aumento de apenas 10%. E, após quatro semanas, quando os cães foram retirados das casas, a resposta do cortisol voltou a ter um aumento de até 48%.
Os pais também relataram uma diminuição de comportamentos problemáticos e perturbadores de seu filho, como birras, enquanto o cão estava presente. A média do número destes comportamentos caiu de 33, nas duas semanas anteriores à presença do cão, a 25 enquanto o animal fez parte da família.
Mas, por enquanto, os pesquisadores disseram que o efeito do cortisol reduzido na criança ainda não pode ser determinado. No entanto, estudos com adultos têm ligado aumentos do hormônio ao aumento do estresse geral, e a diminuição do hormônio a um estado mental positivo.
Mais pesquisas precisam ser feitas em crianças autistas para descobrir se estas diminuições nos níveis de cortisol na verdade correspondem a uma mudança nos seus níveis de estresse.
Muitos estudos já apontavam os benefícios dos cães-guias para crianças com autismo, e agora, um dos objetivos dos pesquisadores é saber por que os cães diminuem os níveis de cortisol delas. Por exemplo, pode ser que os cães ajudem as crianças a dormirem melhor, o que pode ter afetado os níveis de cortisol.

Fonte:
LiveScience
 Natasha Romanzoti






quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Médico brasileiro especialista em Autismo assume cargo na Georgia

O brasileiro Ami Klin brinca com criança no Yale Hospital,
onde foi chefe do departamento de Pesquisa de autismo.

A capital da Geórgia acaba de ganhar um importante aliado no tratamento e pesquisas sobre o autismo. Além de ser o chefe do Marcus Autism Center em Atlanta, o brasileiro Ami Klin assume os cargos de Pesquisador e de diretor da Divisão de Autismo e Deficiências Relacionadas do Departamento Pediátrico da Faculdade de Medicina. Ambas posições serão ocupadas na Universidade de Emory.
Segundo o jornal The Weekly, o médico brasileiro, que é internacionalmente reconhecido, se junta a outros cientistas mundialmente renomados. O time é considerado fundamental para o avanço nas pesquisas do autismo. “O trabalho deles pode transformar a vida de inúmeras crianças e suas famílias no mundo inteiro”, afirmou o presidente e diretor geral da Georgia Research Alliance, Michael Cassidy.
No Marcus Autism Center, Ami Klin será um líder que poderá transformar os diagnósticos, tratamentos e pesquisas do autismo. Sua nomeação coincide com o aniversário de 20 anos do local, que mantém o compromisso de melhorar a vida das crianças que tem autismo e males relacionados.
“O autismo não é mais uma doença rara. O Dr. Klin tem a incrível habilidade de pensar sobre este transtorno em termos de um sistema de atendimento e mudar o futuro de crianças afetadas pelo autismo na próxima geração”, declarou Bernie Marcus, fundador do Marcus Autism Center.
Psicólogo e pesquisador, Ami Klin deixa o cargo de professor de psicologia infantil e psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, em Connecticut. Na renomada instituição, o brasileiro dirigia o Programa de Autismo, e investigou aspectos do autismo, desde a infância até a idade adulta. Em uma tecnologia aplicada, o médico visualizava diretamente o olho da criança, o que permitia saber se ela tem autismo.
Números alarmantes
É com bons olhos que Klin vê o novo desafio em Atlanta. “Queremos avançar neste centro, trazendo especialistas e defensores da principais instituições acadêmicas e organizações estaduais, para juntos solucionarmos os quebra-cabeças e desafios associados ao transtorno do espectro do autismo”, disse o médico brasileiro.
Uma em cada 110 crianças nos Estados Unidos são portadoras de autismo. O número é maior ainda no estado da Geórgia, onde estima-se que mais de 20.000 crianças sofram da doença. O desafio do Dr. Ami Klin e de especialistas de Yale tem início em 2011.
Para o diretor executivo do Marcus Autism Center, Don Mueller, ter o médico brasileiro e a equipe dele é uma oportunidade única para impactar o futuro das crianças autistas. “A contratação do Dr. Klin ilustra o comprometimento da comunidade de Atlanta em construir um centro de autismo de nível mundial. Seu time colaborará com os membros do Consórcio de Autismo de Atlanta para transformar os cuidados das crianças que tem autismo na Geórgia e no mundo”, disse ele.
A presidente do Departamento Pediátrico da Emory University, Barbara Stoll, compartilha da opinião de Mueller. “Poucas contratações podem ser consideradas transformativas. O recrutamento do Dr. Klin e de seus colegas vai transformar nossos programas em autismo e neurociência social e tem um impacto bem além da Geórgia”, disse ela, que também é professora.

Da redação do ComunidadeNews.com
Foto: Reprodução do ComunidadeNews.com

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Como fazer o desfralde de Autistas?

Por: *Carolina Dutra Ramos

O atraso de desenvolvimento presente no autismo dificulta a aquisição de habilidades, diferentemente de pessoas com desenvolvimento típico, que a medida que crescem desenvolvem maior independência de modo gradual e progressivo. Com isto, é necessário que seja ensinado às pessoas com autismo tudo, até mesmo o que parece uma habilidade simples que ao longo da vida aprende-se de forma espontânea, para eles tem que ser ensinada.
Um problema levantado pelos pais de pessoas com autismo é a dificuldade em tirar a fralda dos filhos.
Inicialmente, o mais importante para começar o desfralde de alguma criança com autismo é ter em mente que será necessário paciência, persistência e confiança, porque para obtermos sucesso no desfralde, é indicado iniciar quanto mais cedo possível, em torno de dois anos e meio e três anos de idade. E ao tomar a decisão de iniciar o desfralde, a fralda não deverá mais ser colocada novamente na criança em nenhum momento seja para dormir, passear de carro, ficar na escola.
Como já foi explicado anteriormente crianças com autismo são diferentes de crianças com desenvolvimento típico, sendo assim sua mente fica confusa, sem saber quando pode fazer as necessidades na fralda ou não.
Pode ocorrer de algumas crianças segurarem suas necessidades até o momento em que é colocada a fralda, por fazerem associação de que xixi e cocô é só na fralda. Por isso é necessário que ela associe as suas necessidades agora ao vaso sanitário e não seja mais colocada a fralda.
É recomendado levar a criança ao banheiro com frequência, inicialmente com pequenos intervalos de tempo, deixando sempre a criança no vaso sanitário um tempo também inicialmente reduzido.
Começamos com os pequenos intervalos de tempo que devem ser aumentados conforme o desenvolvimento do ensino. Exemplo: iniciou-se o treinamento com um intervalo de dez em dez minutos, deixando a criança de 30 segundos a um minuto no vaso sanitário, foi observado que a criança está fazendo várias vezes as suas necessidades no vaso sanitário, com isso pode-se aumentar o intervalo de tempo de idas ao banheiro para 15 em 15 minutos e assim sucessivamente.
Sugere-se também registrar os horários em que ocorrem o xixi e o cocô para ser possível ter uma noção de seus horários e lhe dar uma idéia do tempo de intervalo que pode ser praticado com a criança.
O tempo que se permanece no banheiro tem que ser prazeroso, deve-se levar brinquedos, música, algo que seja bom e que a criança goste, para que a ida ao vaso sanitário seja positiva e reforçadora a ela.
Lembrando das palavrinhas chaves: paciência, persistência e confiança, deve-se durante a noite acordar para levar a criança ao banheiro também. Recomenda-se que não dê muito líquido a ela no período da noite. Se não for possível acordar a criança durante a noite, devido a um distúrbio de sono, que seja colocada a fralda com ela dormindo e retirada antes de acordar.
Quando fizerem qualquer necessidade no vaso sanitário, deve-se elogiar e reforçar com algo que a criança gosta. A questão do reforço é algo muito bom para obtermos resultados positivos, pois motiva as crianças. Os reforços podem ser: receber um brinquedo, ouvir a música que gosta, ver o DVD que gosta, ganhar uma guloseima (um pedaço de chocolate, bala, salgadinho), cantar para ele ou apenas um elogio social (Muito bem! Parabéns!) entre outras coisas que a criança goste.
Esses reforços também aos poucos vão sendo retirados, assim que a criança começa a associar suas necessidades fisiológicas ao banheiro e começa a obter o controle esfincteriano. A retirada também deve diminuir aos poucos, em alguns momentos damos, em outros não.
É importante ter sempre em mente que não tem um tempo certo para a criança aprender, cada uma tem seu tempo.
Para obter sucesso é fundamental que todos que estejam envolvidos com a criança ajam igualmente com ela. Se apenas quando ela estiver com os pais ficar sem fralda, mas quando for para a escola ou para a casa dos avôs ficar de fralda, o treinamento será muito sofrido para a criança e a possibilidade de dar certo será menor.
Quando a criança obteve o controle esfincteriano e aprendeu a usar o banheiro, o próximo passo a ser ensinado deve ser ensinar-se a limpar-se com menos apoio.
Como em qualquer ensino, o importante para que a criança obtenha maior nível de independência e autonomia é não fazer nada por eles, e sim com eles, ou seja, para ensiná-los a limpar-se é necessário dar apoio para a criança se limpar, apoiando fisicamente sua mão e retirar essa ajuda gradativamente, aos poucos.
É possível que algumas pessoas com autismo necessite sempre de um pequeno apoio, mas é necessário que não desista de ensiná-los para que possam alcançar pelo menos um pequeno nível de independência.
Durante o desfralde, deve-se ficar atento a alguns sinais que podem vir a prejudicar a criança, como segurar muito tempo a urina ou prisão de ventre. Inicialmente é normal ocorrer prisão de ventre, porém, caso ocorra com freqüência, causando mal estar à criança, é aconselhável procurar orientação médica, tanto para prisão de ventre, quanto para segurar muito tempo a urina – para que não ocorra uma infecção urinária.
Tudo isso é fundamental para dar a chance das crianças desenvolverem suas habilidades de forma mais autônoma e independente, para uma melhor qualidade de vida presente e futura.


*Carolina Dutra Ramos é pedagoga,
 com habilitação em educação especial e pós-graduada em Psicopedagogia,
pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Trabalha na Associação Amigos do Autisa (AMA), de São Paulo, desde 2004,
e atualmente é coordenadora pedagógica das unidades Lavapés e Luis Gama da instituição.
E-mail: carol.dramos@uol.com.br


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Crianças autistas podem ser afetivas, diz estudo

Com três anos, L.S. ainda não fala,
mas sua mãe, Deise, 28,
tem esperança de que ele desenvolva essa capacidade.  

L.S, 3 anos, durante uma consulta com sua mae Deise de Andrade Santos, 28, no ambulatório de autismo do HC
Seu filho é autista. Anda pela casa de olhos fechados e passa muito tempo girando o corpo. Quando quer algo, L.S. agarra a mão de Deise para comunicar seu desejo.
"Ele é muito carinhoso, sempre retribui os meus beijos e abraços. E percebe quando estou triste, chega até a parar de comer", diz.
A dona de casa Joana também testemunhou um ato de empatia por parte de seu filho, Tiago. Autista de grau moderado, o jovem de 25 anos percebeu que a mãe estava abalada com a morte de um parente e quis confortá-la: "Ele oferecia a camiseta dele para secar as minhas lágrimas", conta.
Ainda que não se saiba se a troca de afetividade entre mãe e filho seja mera imitação de gestos por parte do autista, há pesquisas que contradizem a ideia comum segundo a qual os autistas são frios e alienados.
Um estudo conduzido na Queen's University, Canadá, com 15 crianças autistas, avaliou a capacidade que elas tinham para contar e sustentar uma mentira.
Os pesquisadores perceberam que 12 dessas crianças eram capazes de contar "mentiras piedosas", cujo objetivo é não desapontar as expectativas dos outros.
Quando recebiam um presente que não gostavam (um sabonete, no teste), eles mentiam para não magoar quem os havia presenteado.


NEM TÃO RÍGIDOS

Para Gustavo Giovannetti, psiquiatra da Unifesp, a habilidade que os pesquisadores detectaram não pode ser generalizada para todos os espectros de autismo, muito menos para casos mais severos, mas confirma teses mais atuais a respeito do tema.
"O que a pesquisa mostra é que o desenvolvimento dos autistas não é tão fechado e que seus sintomas não são assim tão rígidos", afirma.
Segundo o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do ambulatório de autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, o mérito do estudo é desafiar o senso comum sobre a frieza dessas pessoas.
"É preciso acabar com esse mito de que autistas não têm afetividade. O que eles têm é dificuldade para demonstrar sentimentos por causa de suas limitações em se comunicar", diz.
A reportagem da Folha visitou na sexta-feira (15) o ambulatório em que o médico atende no HC, em meio a atividades lúdicas como a presença de contadores de história e cães terapêuticos.
Um de seus pacientes, o adolescente F.V., 15, estava acompanhado pela mãe, Angela. "Ele começou a ficar agressivo. Bate em mim e quebra tudo se não é atendido. Não tenho mais força para controlá-lo. Já pensei até em interná-lo", desabafa.
Vadasz afirma que mesmo o comportamento agressivo de F.V. é uma prova de que ele tem emoções.
"A raiva é uma demonstração de seus sentimentos e de sua frustração por não conseguir exprimir um desejo."
Um diagnóstico precoce, diz o médico, pode melhorar as perspectivas de jovens autistas: "Quanto mais cedo a criança for tratada, maiores as chances de desenvolver capacidades de interação".
Sinal que pode ser promissor para o pequeno L.S., que ainda não consegue falar.
"Ele é muito novo ainda, quem sabe até os seis anos não seja capaz de desenvolver a comunicação verbal?", afirma o médico.
GUILHERME GENESTRETI
Foto: Letícia Moreira/Folhapress

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Especialista explica como identificar o Autismo

Orientações da terapeuta Patrícia Piacentini
são principalmente para os pais.

O autismo é descrito por autoridades no assunto dos Estados Unidos e da Europa como uma epidemia atual.
O Brasil não possui estatística sobre a síndrome. Dados de 2007 apontam apenas para uma estimativa. De acordo com o Projeto Autismo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP), num universo de cerca de 190 milhões de habitantes, havia aproximadamente um milhão de casos de autismo.
No mundo, segundo a ONU, acredita-se ter mais de 70 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. A incidência em meninos é maior, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com autismo. SINTOMASSegundo a terapeuta Patrícia Piacentini (foto 1), os sintomas podem ser percebidos após o nascimento da criança através da questão motora e a habilidade dela se comunicar com os outros em volta.
“As estereotipias podem surgir, porque é justamente a transição dessas crianças de se autoregular. Se seu corpo não está funcionando do jeito que você espera, você vai criar movimentos de autoregulação, que é justamente o que a gente trabalha”, disse.
Hoje, já é possível identificar o autismo em crianças a partir dos seis meses. Patrícia Piacentini diz que os pais podem ajudar os filhos que tem a síndrome brincando com eles.
 “O pai não precisa ser terapeuta, só ser pai, brincar com as crianças, estimulando a questão motora. É claro que os pais precisam de ajuda, mas podem ajudar nessa intervenção e trazê-las para o convívio social”, explicou.

Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Google.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Estatuto do Deficiente - 10 anos depois

A proposta que cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência (PL 3638/00) prossegue sem acordo na Câmara. Após quase dez anos de tramitação, parlamentares e entidades reconhecem a importância da proposta, mas reivindicam alterações no texto.

Para a representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade – órgão da Secretaria Especial de Direitos Humanos que reúne integrantes do governo e de organizações da sociedade civil), Laís de Figueiredo Lopes, o debate gira em torno da abordagem da proposta. “O projeto, segundo alguns movimento sociais, trouxe uma visão assistencialista do grupo, o que gera resistência entre aqueles que trabalham no sentido do protagonismo das pessoas com deficiência, que não devem ser vistas simplesmente como beneficiários de certas políticas públicas.”
A proposta de estatuto reúne leis e decretos que concedem benefícios ao grupo, além de propor algumas novidades, como: prioridade na tramitação de processos judiciais; programas específicos de educação profissionalizante; tipificação de crimes contra pessoas com deficiência; ampliação do perfil para recebimento do benefício de prestação continuada (BPCBenefício no valor de um salário mínimo e pago mensalmente a pessoas idosas de 65 anos ou mais e portadores de deficiência incapacitados para a vida independente e para o trabalho. Em ambos os casos, os beneficiados devem pertencer a famílias com renda por pessoa inferior a 1/4 do salário mínimo. ), entre outras.

Convenção da ONU

O principal argumento contra a votação do Estatuto da Pessoa com Deficiência é uma suposta dessintonia entre o texto que tramita na Câmara e o tratado internacional resultante da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada pelas Nações Unidas em Nova Iorque, em 2006. Mais de 140 países são signatários do tratado, incluindo o Brasil.
O deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que é presidente da Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Fenapaes), explica que o projeto de lei não foi debatido após a ratificação do tratado pelo País, que ocorreu em 2008. “Existem alguns temas ligados principalmente à tutela das pessoas com deficiência, à emancipação civil desse grupo e aos seus direitos políticos que precisam de maiores reflexões”, argumenta.
O presidente da Associação Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB), Moisés Bauer, explica que “o tratado internacional traz uma abordagem diferente daquela proposta no projeto do estatuto, tendo por base uma visão de autossuficiência da pessoa com deficiência”.
Laís de Figueiredo Lopes explica que, em 2009, o Conade e a Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência promoveram uma série de encontros regionais para debater a proposta. Mas, segundo ela, ainda são necessários mais debates sobre o tema. Laís explica que a “falta de consenso” atinge pontos que variam desde a capacidade legal das pessoas com deficiência, a inserção desse público nas escolas comuns até o próprio conceito de deficiência. Para ela, “a deliberação não avança no Legislativo porque, de certa forma, o Congresso tem sido respeitoso com os movimentos sociais”.
___________________
Fonte: Agência Câmara

A Intensidade Profissional e Espiritual do Tratamento do Meu Filho


Aqui em casa o amor que temos pelo autismo, nossa prova de cada dia, ultrapassa os limites do nosso próprio entendimento. Procuramos sempre com a mais intensidade o mundo desconhecido do autista, não nos limitarmos em médicos, remédios e terapias. O tempo foi nosso aliado. Fomos além. Além dos espaços geográficos terrenos. Procuramos transcender a aceitação e o processo de cura, buscamos em todos os lugares que nos foi permitido ir.
Igualmente, temos também nossas filhas para coroar. Meus elos de entendimento e amor transcenderam até ao que me é permitido entender e do meu pensamento espiritual, consignado por Deus e seus mentores, mensagens vieram as mais variadas.
Conversamos com pessoas abalizadas como o Dr. Walter Camargos (o psiquiatra do André), o amigo e escritor Nilton Salvador, que sempre nos apoiou na caminhada de amor (uma preciosa amizade), a psicopedagoga Elizabeth Andés, entre outros profissionais e amigos que o escoltaram a evolução excepcional do André Luís. Atualmente, André freqüenta duas escolas e nomes como, Delma, Maria José, Cacá, Eliane, Andréia, e outras pessoas queridas devem ser sempre lembradas.
Há um acerto em todo o pessoal que conviveu e convive com o meu filho, todos estes anos, com variada intensidade e compreensão que aqui fica limitado escrever. Mas é preciso que o mundo saiba. Novas mães e pais podem ler nossa experiência e deve ser relatada aqui neste espaço virtual.
Por fim, sempre me preocupo com a efemeridade e acho que a nossa passagem no planeta deve ser bem vista, mais evoluída das "deficiências humanas” num acerto todo pessoal (Silvânia e André Luís). Não seria possível um acordo se não existissem agentes e amigos e com eles os resultados pessoais. Pude observar que muitas pessoas, inclusive eu, ocasionalmente, queremos saber mais do que os médicos. Isto é difícil de controlar. Aprendi no cerne do problema, que o problema é uma intensa aprendizagem. Paguei o aprendizado a preço caro. Penitencio-me até hoje. Mas minha abordagem hoje é voltada totalmente para a compreensão e para o amor. O amor que sinto pelo meu filho, pelo autismo e sua convivência diária.
Compreendo hoje que não fosse a intensidade do zelo da minha família e dos profissionais da educação que convivem com o André e a nossa aceitação não teríamos vencido o autismo, ou melhor, ACEITADO O AUTISMO. Ele se tornou nosso feijão com arroz.
Mas os relatos de aprendizagem são os mais variados. Ao falarmos de emoções temos que nos dinamizar. Uma emoção resulta de um sentimento ou de uma forma de sentir uma experiência. A experiência de afetos positivos do autismo gera sentimentos de segurança e de prazer e, conseqüentemente, os neurotransmissores adequados para manter um estado psicológico isento de tensões e reforço das comunicações .Insta saber tudo isto acontece, quando há aceitação e não existe revolta. Fatores importantes para o qualquer filho autista. A experiência de afetos negativos, sentimentos de desprazer que o autismo proporciona em um estado de tensão, pode levar ao estresse, com aumento de desamparo do autista. As crianças autistas que apresentam níveis mais elevados têm maior incidência de atrasos de desenvolvimento cognitivos, motores e sociais.
Assim o zelo velado se fez presente. O autismo do André é severo e exige muita resignação e dedicação. André, apesar de suas limitações, constitui-se em uma doce presença, com reais atitudes de uma criança feliz.
A sua presença é doce e desejada, nunca como um peso para a família que o aceitou como dádiva de extrema significação, mais do que justo, um privilégio. Por ele somos felizes.
Até então, contribuiu com o aprendizado de todos nós, pois com a intenção de aproximá-lo ao nosso coração, ao nosso convívio, cada vez mais intenso, partimos para um trabalho de pesquisa que busca explicação a respeito de seus sintomas autísticos. Trata-se de um estudo consciente que traz esperanças e, ao mesmo tempo, aumenta o nosso amor pela causa. Apesar da plena aceitação do problema do meu filho, ninguém se acomoda, não foge à luta de uma proposta de recuperação do nosso querido filho. Será sempre a página do registro da vida e do amor por ele.
Afinal, os autistas têm dificuldades de comunicação, mas não UM MUNDO próprio. Para eles comunicar é algo difícil, e, como poucas pessoas compreendem esta situação, conflitos são gerados. Ensiná-los a se comunicar pode ser difícil, mas pode ajudar o autista a acabar com seus conflitos. Assim como pessoas normais, os autistas têm variações de inteligência se comparados um ao outro. É muito comum apresentarem níveis de atraso, que podem ser superados com o passar dos anos.
O autismo não dá trégua, mas traz a esperança de acendermos, sermos melhores neste mundo de desigualdades. Por mais que se lute, não se pode esperar que ele mude. Ele continua lá da mesma forma, implacável e temos que aprender. Mas o retorno em termos de aprendizagem não é muito pequeno. Pelo contrário, ensina-nos nas experiências de professor.
É preciso muita persistência para tentar mudar a situação e, na maioria das vezes, as evoluções são quase imperceptíveis. É uma batalha desigual, mas que eleva o espírito de uma família. É como dizer sempre, o que não tem remédio, remediado está. E o resultado, qual será
Para entrar no mundo dos autistas é preciso saber amar sem esperar troca. O amor verdadeiro é a maior lição que eles podem nos dar ao longo da vida e do zelo. Só o amor se frutifica na intensidade exigida pelo silêncio que o autista impõe.
O seu discurso sem fala vale por todos os códigos de uma linguagem universal... não é fragmentado como as palavras que profiro, nem se perde na carga semântica dos termos incompletos da minha acanhada emoção. O meu filho é o professor que me ensina a essência de todas as coisas, na magistral enciclopédia da vida. A sua canção me faz vibrar... são acordes de ternura que leio no palpitar de seu sussurro, no ressonar de seu sono irregular e na vigília dos seus dias. As suas poesias de silêncio possuem asas e cores... são páginas do meu álbum, originais como são, valem pelo prazer do mistério e da beleza... Agradeço o privilégio de chamá-lo de filho.
Chega-se ao ápice da melhora. O meu filho vestiu terno e gostou. Quer a convivência social de sentar-se numa mesa com amigos, ir a um baile de formatura, ser visto e dançar. Falaremos desta experiência depois. Imagino... Quantos gostariam de possuir a riqueza que me foi doada, por acréscimo...

Silvania Mendonça Almeida Margarida

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pesquisador brasileiro ganha Independent Investigator Award

Agência FAPESP – Geraldo Busatto Filho, coordenador do Laboratório de Neuroimagem em Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), recebeu o Independent Investigator Award, concedido pela Aliança Nacional pela Pesquisa sobre Esquizofrenia e Depressão (Narsad, na sigla em inglês), nos Estados Unidos.
A Narsad é considerada a maior organização não-governamental do mundo dedicada a levantar recursos financeiros de doadores para apoiar projetos científicos considerados promissores e relacionados a saúde mental, com ênfase em aspectos envolvidos em transtornos psiquiátricos como esquizofrenia, depressão, transtornos da infância como autismo, déficit de atenção e hiperatividade, transtorno bipolar e transtornos de ansiedade.
O Independent Investigator Award, uma das principais modalidades de auxílio da Narsad, é concedido anualmente a cerca de 40 pesquisadores. Busatto, cuja linha de pesquisa é voltada para o uso de técnicas de neuroimagem no estudo dos mecanismos cerebrais subjacentes aos sintomas dos transtornos psiquiátricos, foi o único cientista do hemisfério Sul a receber o auxílio em sua edição de 2010.
Com os recursos concedidos pela Narsad, Busatto irá liderar um projeto que envolve o uso de exames de ressonância magnética do crânio para avaliar um dilema diagnóstico importante na psiquiatria: a diferenciação entre transtorno bipolar e déficit de atenção (e hiperatividade) em adultos.
“Trata-se de uma questão importante na prática clínica. Até alguns anos atrás se considerava válida a ideia de que déficit de atenção e hiperatividade não pudessem persistir na vida adulta. Acreditava-se que eram diagnósticos próprios da infância e adolescência. Nos últimos anos, a partir de estudos epidemiológicos, foi constatado que há uma alta prevalência desse quadro clínico na vida adulta. A pesquisa terá a preocupação de abrir perspectivas diretas para o tratamento”, disse Busatto à Agência FAPESP.
Segundo ele, cada vez mais se suspeita que é comum confundir os diagnósticos de transtorno bipolar com os de hiperatividade e déficit de atenção na vida adulta. “Isso se reflete em uma questão prática de grande importância: se houver confusão no diagnóstico, o médico pode fazer escolhas terapêuticas equivocadas e, eventualmente, levar até mesmo a uma piora do quadro clínico”, explicou.
Busatto enfatiza, no entanto, que o projeto é um estudo de fronteira da ciência, que não terá aplicação imediata na prática clínica: as imagens de ressonância magnética feitas em pessoas com diagnósticos psiquiátricos não são capazes de detectar nenhum tipo de alteração característica de forma direta.
“Estamos falando de processamentos computacionais voltados para a classificação de desvios extremamente sutis da normalidade. Essas alterações não seriam visíveis a olho nu nas imagens. Atualmente, não existe – e nem é possível antever – possibilidade de aplicação clínica desses métodos, como se fossem uma radiografia do padrão de transtorno bipolar”, explicou.
O projeto financiado pela Narsad consistirá em avaliar cerca de 30 indivíduos em cada um dos grupos diagnósticos. Os pacientes serão tratados e seguidos ao longo do tempo para confirmação dos diagnósticos.
“Depois de um determinado período – de três meses a um ano –, vamos saber se o diagnóstico permaneceu o mesmo e identificar qual tratamento teve as melhores respostas. A partir daí, retrospectivamente, iremos comparar o desfecho clínico dos casos com os diagnósticos de imagens”, disse o professor da FMUSP.

Para a realização do projeto, os pesquisadores deverão fazer uma parceria com grupos de atendimento a pacientes no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, em especial com o Programa de Déficit de Atenção e Hiperatividade (Prodath), que atende portadores das doenças na vida adulta.
“Em parceria com esses grupos, vamos classificar os pacientes diagnosticados e tratá-los na instituição. Os recursos do Narsad serão utilizados para o pagamento de pessoal de pesquisa, dos exames e dos custos envolvidos no processamento de dados”, disse Busatto.

Apoio da FAPESP

Segundo o pesquisador, o projeto apresentado à Narsad foi agraciado com o limite máximo do valor alocado para a modalidade, de US$ 100 mil. “Mas não teria sido possível chegar a receber uma distinção como essa, em uma seleção altamente competitiva, sem o apoio da FAPESP durante 14 anos”, disse.
Busatto coordena atualmente o projeto “Novas ferramentas automatizadas para avaliação neuropsicológica: processos cognitivos de tipo social e correlatos cerebrais”, com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. Suas pesquisas vêm recebendo apoio da Fundação desde 1996, quando obteve financiamento para um projeto no Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.
“O objetivo do projeto era criar um núcleo de aquisição e processamento de imagens cerebrais para pesquisa em psiquiatria. Desde então fui investigador principal de um grande número de estudos de análise cerebral e psiquiatria com auxílio da FAPESP”, destacou.
Esses projetos, segundo Busatto, têm gerado muitas publicações e, com essa base, seu grupo pôde caminhar na direção dos estudos atuais: verificar se os dados de ressonância magnética do crânio poderão, no futuro, ser usados para melhorar os diagnósticos em psiquiatria.

Fonte: Agência FAPESP
Por Fábio de Castro

domingo, 10 de outubro de 2010

VIII Congresso Brasileiro de Autismo

Com o tema
 “Saúde mental e educação especial inclusiva”,
acontecerá entre
28 e 30 de outubro o
VIII Congresso Brasileiro de Autismo, em João Pessoa – PB.

 Mais informações em pelos telefones:  
(83) 3045 2980  e 3226 2431

ou pelo e-mail

As inscrições podem ser feitas no link abaixo


 


Terapia com um Clic

Atendimento psicológico online

Dos quase 70 milhões de internautas brasileiros, 39% buscam informações sobre saúde. Para atendê-los, a psicologia já garantiu seu espaço na web. No Brasil, pelo menos 60 sites estão autorizados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) a atender pacientes virtualmente.
Os dados fazem parte de estatísticas do Registro de Domínios para a Internet no Brasil (Registro.br) e de uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br). Os estudos consideram homens e mulheres que utilizam a internet em casa ou no trabalho. E o CFP é o órgão responsável pelo cadastramento de sites que prestam atendimento psicológico, de acordo com as condições exigidas.
Andréa do Nascimento, conselheira do CFP, esclarece que é necessário entender até onde o psicólogo online pode ajudar. “O paciente não está no consultório, então o assunto deve ser pontual. Se precisar de um aprofundamento, o profissional deve sugerir o contato pessoal com a psicoterapia.”
O psicólogo e a tecnologia
O atendimento por e-mail, webcam, mensagem instantânea ou telefone são serviços complementares na clínica do psicólogo Marcos Maximino. "Tenho uma paciente que está trabalhando em outro estado e combinamos que, uma vez por semana, vamos conversar virtualmente”, diz. Isso ajudou a paciente com o desafio de trabalhar longe de casa e permitiu que ela não recusasse a proposta de trabalho durante o tratamento.
Para Maximino, a formação do psicólogo permite que o profissional perceba o limite entre orientação pontual, no atendimento virtual, e a necessidade de aprofundar o tratamento, com a psicoterapia. “Existem estudos que ajudam o profissional a utilizar a tecnologia como ferramenta na psicologia. Mas é preciso ler, estudar”. Embora veja resistência de colegas, o psicólogo afirma que o futuro caminha nessa direção.
O Instituto de Psicologia Aplicada (InPA) fica em Brasília, mas os 4 psicólogos online já atenderam pacientes de regiões de todo o país. O psicólogo e responsável técnico da equipe, Fábio Augusto Caló, afirma que, acima de tudo, o atendimento é uma relação humana. “Muitos pacientes nos procuram por falta de profissional onde residem ou dificuldade de locomoção. Já atendemos também brasileiros em outros países, com dificuldade de expressão fluente em outro idioma, o que é fundamental para o processo psicoterapêutico”, diz o psicólogo.

O CFP esclarece alguns pontos que devem ser levados em consideração no atendimento psicológico online:

- Menores de idade só podem ser atendidos virtualmente mediante autorização dos pais ou responsável
- O psicólogo deve esclarecer ao paciente que, no ambiente virtual, as informações não estão totalmente seguras e podem ser acessadas em caso de ataque de hackers
- No site do profissional, deve ter um selo que identifica a autorização do CFP para atuar como psicólogo online e um link para o conselho e para o código de ética da profissão
“Psicoterapia significa estar junto”
O atendimento presencial tem características insubstituíveis. “No consultório consideramos a postura, a respiração e outras características no paciente”, afirma Paulo Quinet, diretor de divulgação da Federação Brasileira de Psicanálise (FEBRAPSI). “Quando a conversa é digitada ou somente falada ao telefone, o processo psicoterapêutico se torna inviável. Psicoterapia significa estar junto, aprofundar", diz o especialista.
Quando o psicólogo identifica a necessidade de aprofundamento, pode ser sugerida a psicoterapia. “No consultório, o paciente pode buscar um psicólogo para falar sobre um problema profissional e resultar na abordagem de assuntos pessoais e familiares”, esclarece Rosa Farah, psicóloga e coordenadora do Serviço de Informática da PUC-SP.
Apoio emocional
O Centro de Valorização à Vida (CVV) existe há 48 anos com atendimento telefônico e há cerca de dois meses inaugurou o serviço de chat online. Os voluntários não são psicólogos e nem prestam atendimento psicoterapêutico. Quando explicam o que os motivou a ajudar outras pessoas no CVV, a resposta é solidariedade. “Eu tinha um comportamento difícil, até que um amigo me sinalizou e decidi ajudar outras pessoas. Respeito a dor do próximo e sempre quis ser útil”, diz Paula Romeiro Guirra, auditora de 37 anos.
O serviço está em fase inicial e pode ser utilizado pelo site da instituição. Atualmente funciona diariamente das 19h às 22h45. Arthur Mondim, coordenador do CVV Web, explica como funciona o serviço. “Não temos capacitação para um tratamento de psicologia, somos leigos. O que oferecemos é o nosso tempo e amizade, facilitando o desabafo de quem nos procura.” O contato pode aliviar um momento de angústia, o apoio pode estar a alguns cliques de distância.

Júnior Milério
Fonte: iG São Paulo
Imagem: Google.



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Autismo: Ainda um Enigma

Há mais de 70 anos cientistas de todo mundo se dedicam a estudar aquela que é uma das mais enigmáticas desordens neurológicas: o autismo. Embora muitos avanços tenham sido feitos na área clínica, os mecanismos moleculares, genéticos e neurobiológicos desse distúrbio permanecem em grande parte desconhecidos. Novos estudos, entretanto, parecem dar esperança para se recomendar tratamentos e medicamentos mais eficazes em um futuro próximo.

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“Ele vive no seu próprio mundo.” A frase é bastante utilizada para descrever de forma leviana pessoas distraídas, que dão pouca atenção ao que acontece ao seu redor. As mesmas palavras, entretanto, ganham um significado muito mais enfático quando se referem a um portador de autismo – uma desordem neurológica manifestada por uma tríade de sintomas: déficit de interação social, dificuldade de linguagem e comportamento repetitivo.
A imagem clássica da pessoa autista – reproduzida em filmes, livros e seriados de televisão – é a de um indivíduo indiferente ao ambiente que o cerca, balançando para frente e para trás, sem olhar nos olhos de ninguém, conversar ou demonstrar interesse por qualquer assunto. Como todos os estereótipos, essa representação do autismo não pode ser encarada como verdade absoluta.
Afinal, o autismo não é uma disfunção única, mas sim um espectro de problemas, que variam de intensidade e tipo. Uma criança com um autismo leve como a síndrome de Asperger, por exemplo, pode conversar, frequentar escolas normais e ter uma vida independente quando envelhecer. E é justamente por abarcar uma infinidade de comportamentos e sintomas secundários que médicos e cientistas preferem classificar o distúrbio, de maneira mais geral, como desordens do espectro autista (ASD, na sigla em inglês).
Como um dos principais sintomas do autismo é a dificuldade de interação social e de comunicação, torna-se um duplo desafio para pais, médicos, neurologistas, psicólogos e psiquiatras diagnosticar e tratar de crianças que apresentam esse comportamento. Não receber resposta a perguntas simples como ‘o que há de errado?’ e não conseguir estabelecer conexão com o filho ou paciente são situações cotidianas para pessoas que lidam de perto com o autismo. “É uma charada difícil de ser desvendada, e por isso decepcionante e frustrante”, comenta o neuropediatra Leonardo deAzevedo, do Instituto Fernandes Figueira (IFF-Fiocruz), no Rio de Janeiro.
DeAzevedo realiza estudos clínicos sobre o autismo, em especial sobre a relação entre o distúrbio e o sistema imunológico do seu portador. Além dele, outros pesquisadores e médicos do Laboratório de Neurobiologia e Neurofisiologia Clínica do setor de Neurologia do instituto têm as desordens do espectro autista como objeto de estudo, como é o caso do neurofisiologista Vladimir Lazarev e do neurologista Adailton Pontes, mais voltados para a neurofisiologia da desordem.
Diagnóstico: quanto antes, melhor
O documentário O nome dela é Sabine, dirigido pela atriz francesa Sandrine Bonnaire, apresenta bem alguns aspectos da vida de uma pessoa portadora de autismo. No filme, a diretora focaliza sua irmã, Sabine, portadora de um tipo de autismo que não é explicitado ao longo do documentário. Ela tem olhar vago, está acima do peso, não estabelece contato visual, repete a mesma pergunta várias vezes, não mantém uma conversa por muito tempo e tem surtos ocasionais de violência.
Sobre essa imagem triste da irmã, a diretora contrapõe trechos de filmes caseiros antigos, nos quais Sabine está completamente diferente. Mais magra, ela parece demonstrar mais domínio sobre seu corpo, conversa com a irmã com muito mais facilidade, dança e ri. A diferença entre essas duas Sabines é enorme, e logo o espectador compreende: por falta de diagnóstico e tratamento adequados, Sabine acabou por ser internada num hospital psiquiátrico, onde permaneceu por cinco anos. O filme parece ser um mea culpa de Sandrine em relação à piora drástica da irmã.
Episódios como esse, no entanto, em que uma criança portadora de autismo é erroneamente diagnosticada e, por isso, não passa por tratamentos adequados, não são raros, mesmo hoje em dia. No Brasil, por exemplo, ainda há muitos casos de diagnóstico tardio. A dificuldade, por parte dos pais, de perceber os sintomas em seus filhos ainda bebês, juntamente com o desconhecimento em relação ao distúrbio, fazem com que a criança seja apontada como autista somente quando está mais velha.
Esse cenário está longe do ideal. É de consenso geral entre os cientistas: quanto antes for feito o diagnóstico do autismo, mais fácil e eficiente é o tratamento e, consequentemente, também a melhora. Para o médico Estevão Vadasz, coordenador do Projeto Autismo no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, o ideal é que o diagnóstico seja feito quando a criança tem entre um ano e meio e dois anos. “O mais comum, no entanto, é a partir dos três anos de idade”, afirma.
Por apresentar diversos sintomas e níveis, o próprio diagnóstico para a desordem do espectro autista é bastante individualizado e subjetivo. Segundo Vadasz, a observação é a base para que se aponte se uma criança tem ou não autismo. “Observamos as três áreas mais afetadas pelas desordens autistas: a comunicação e a linguagem, a socialização; e os comportamentos repetitivos e interesses circunscritos”, explica o médico, acrescentando que não há um exame médico específico para o diagnóstico do autismo.
No Brasil, não há uma estimativa oficial do governo de casos de autismo na população e, para fins estatísticos, utilizam-se dados extrapolados de instituições estrangeiras, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC). Segundo um relatório de 2006 desse instituto, uma em cada 110 crianças é portadora de uma desordem do espectro autista. O número parece bastante alto, mas os critérios do instituto provavelmente englobam muitos níveis de autismo, inclusive os mais leves.
Os vários autismos
De maneira geral, as desordens de espectro autista, que englobam uma grande variedade de comportamentos e problemas sob o ponto de vista clínico, podem ser divididas em dois ‘tipos’ de autismo. Obviamente, essa divisão é artificial e abarca em si outras muitas pequenas variações.
1) Síndrome de Asperger. Descrita pela primeira vez pelo pediatra austríaco Hans Asperger (1906–1980), é considerada uma forma de autismo mais branda. Seus portadores apresentam os três sintomas básicos (dificuldade de interação social, de comunicação e comportamentos repetitivos), mas suas capacidades cognitivas e de linguagem são relativamente preservadas. Na verdade, alguns até mesmo apresentam níveis de QI acima da média, motivo pelo qual a criança portadora da síndrome de Asperger é comumente representada como um pequeno gênio que descobre códigos e resolve enigmas. Entretanto, a síndrome de Asperger engloba aproximadamente 20-30% dos portadores de desordens do espectro autista.
2) Autismo ‘clássico’. É o tipo descrito pelo médico austríaco erradicado nos Estados Unidos Leo Kanner (1894-1981). Kanner foi o primeiro a utilizar a nomenclatura “autismo infantil precoce”, em um relatório de 1943, no qual [ele] descrevia 11 crianças com comportamentos muito semelhantes. O médico utilizou expressões como ‘solidão autística’ e ‘insistência na mesmice, que hoje são sintomas ainda tipicamente encontrados em pessoas autistas. Os portadores desse ‘autismo clássico’ têm comprometimento das capacidades cognitivas que varia de moderado a grave, além da dificuldade de interação social, de comunicação e do comportamento repetitivo. Os autistas chamados de ‘alto funcionamento’
3) Autistas do tipo regressivo. Essa variação no espectro de desordens autistas inclui aqueles que se desenvolvem normalmente até aproximadamente 1 ano e meio, e em seguida, até os 3 anos, sofrem regressão da linguagem e do comportamento tornando-se autistas.
A força da genética
Desde que o autismo foi descrito pela primeira vez, em 1943, pelo médico austríaco Leo Kanner, um sem-número de estudos já foi feito sobre a desordem, mas ela ainda é considerada uma das mais enigmáticas da ciência. Muitas hipóteses e teorias foram levantadas para explicá-la, e um número igual delas já foi derrubado. Chegou-se a dizer, por exemplo, que vacinas poderiam causar intoxicação que levaria ao autismo; que determinados alimentos causariam o distúrbio; e até mesmo que a mãe era culpada pelo surgimento dos sintomas no filho.
“Não há comprovação de nenhum fator ambiental no surgimento do autismo”, afirma o neurofisiologista Vladimir Lazarev, do Instituto Fernandes Figueira (IFF). Juntamente com o médico Adailton Pontes, também do IFF, Lazarev tem conduzido estudos sobre o perfil neurofisiológico de crianças portadoras de autismo (ver ‘Em busca do diagnóstico preciso’ em CH 224).
Fora do Brasil, a ideia geral é também que “além de processos genéticos, não se conhece outras possíveis causas cientificamente viáveis para o autismo”, nas palavras do psicólogo Ami Klin, coordenador do Programa de Autismo da Universidade de Yale (Estados Unidos). O desconhecimento de influências do ambiente, no entanto, não significa que elas não existam.
Os processos genéticos aos quais Klin se refere são, na verdade, mutações genéticas – ou seja, microdeleções, inversões ou duplicações de determinados genes – que se descobriu ter relação com o autismo. “Os fatores genéticos respondem por mais de 90% das causas para o autismo”, explica o neuropediatra Leonardo deAzevedo. Os outros possíveis fatores não são conhecidos, e podem ser, por exemplo, resultado de problemas durante a gravidez, como rubéola, toxoplasmose e acidentes.
Não há apenas um gene relacionado ao distúrbio, mas vários, o que dificulta o trabalho dos cientistas. “O envolvimento de múltiplos genes pode responder por mais de 90% dos casos de propensão para o autismo”, explica deAzevedo. Esse mapeamento, embora impreciso, é importante, pois possibilita a elaboração de possíveis tratamentos ou medicamentos que suprimam as faltas ou estabilizem os excessos causados pelas mutações genéticas.
Entre os genes-candidatos, estão dois responsáveis pelo metabolismo da serotonina, um neurotransmissor que tem um papel regulador de determinadas fases do sono. Outra possibilidade é o gene RELN, codificador de uma proteína extracelular que coordena a migração de neurônios durante o desenvolvimento do cérebro. Essa proteína, chamada de relina, tem papel importante no desenvolvimento do córtex cerebral, do hipocampo e do cerebelo – estruturas nas quais já foram identificadas anormalidades em pessoas autistas.
No Brasil, a pesquisa genética também tem bons prognósticos. O laboratório coordenado por Vadasz no Hospital das Clínicas de São Paulo tem, além de uma área de diagnóstico e tratamento para distúrbios do espectro autista, um projeto de pesquisa voltado para a identificação de genes-candidatos à desordem e células-tronco. Vadasz é otimista. Para ele, em cinco ou 10 anos, será possível realizar intervenções terapêuticas. “A ideia é tirar células-tronco dos dentes de leite de crianças autistas, colocá-las em cultura e, com o tempo, diferenciar essas células em neurônios”, explica. Em seguida, os cientistas tentarão introduzir esses neurônios no sistema nervoso para suprir algumas falhas no processamento cerebral, numa técnica chamada de ‘reengenharia dos neurônios’.
Oxitocina: o ‘hormônio do amor’?
Entre todos os genes candidatos, a descoberta de um deles tem gerado efeitos práticos mais concretos. Trata-se do gene responsável pelo controle da produção da oxitocina, um hormônio relacionado ao sistema reprodutor feminino, que é produzido no hipotálamo. Apelidada de ‘hormônio do amor’ e ‘hormônio da confiança’ graças ao seu papel nas relações interpessoais e nos comportamentos afetivos, a oxitocina tem sido analisada em vários países por seu potencial de tratamento de alguns comportamentos autistas, como a ausência de contato visual e a dificuldade de relação com outras pessoas.
“Alguns estudos já comprovaram que pessoas com algum tipo de desordem do espectro autista possuem menos oxitocina no sangue periférico”, explica Azevedo. Em experimentação em roedores, percebeu-se que a proteína CD38 regula a secreção de oxitocina. Nos roedores em que falta a proteína CD38, os níveis de oxitocina no sangue são baixos.
Foi a partir dessa constatação que instituições do mundo todo têm realizado testes que analisam os efeitos da ingestão de oxitocina em pacientes autistas sob a forma de spray nasal. Um desses estudos, publicado na revista norte-americana PNAS, foi coordenado pela neurocientista francesa Elissar Andari, do Instituto Nacional de Pesquisas Científicas da França.
Andari e seus colegas conduziram um estudo com 13 pessoas portadoras de autismo de alto desempenho – aqueles que possuem suas capacidades cognitivas preservadas. Em um jogo no qual deveriam jogar uma bola e recebê-la de volta de três outros jogadores fictícios, os cientistas analisaram a interação das crianças em relação aos outros jogadores, que eram divididos entre bons, ruins e neutros. Aquelas portadoras de autismo não diferenciavam quais jogadores tinham melhor desempenho. No entanto, após a inalação de oxitocina, esses pacientes percebiam a diferença e interagiam mais com o jogador ‘bom’, lançando uma quantidade maior de bolas para ele.
“Diz-se que a oxitocina causa melhora em alguns comportamentos autistas essenciais, como o engajamento social, mas isso ainda não é comprovado totalmente”, opina Klin. No entanto, dados os excelentes resultados em estudos como o de Andari, a expectativa é de que futuramente se poderá tratar o autismo com oxitocina.
No Brasil, o grupo de deAzevedo, em colaboração com a professora Vivian Rumjanek, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, está estudando o comportamento desta proteína nas crianças autistas. Já no Hospital das Clínicas, em São Paulo, o tratamento com a oxitocina é feito por meio do contato com cães. Vadasz, coordenador do programa que realiza o tratamento, explica essa relação um tanto surpreendente: “Estudos já demonstraram que, quando temos algum contato com cães, nosso cérebro produz oxitocina”. Nos Estados Unidos, a chamada terapia assistida por cães (TAC) tem apresentado bons resultados.
Enquanto ela não vem… Os tratamentos
A oxitocina ainda está em fase de testes para o tratamento de sintomas do autismo. Por enquanto, o tratamento para o distúrbio passa por várias áreas médicas, e o grau de efetividade depende da idade em que é iniciado. A cura, entretanto, ainda não está num horizonte próximo. “Não sabemos de uma causa específica para o autismo e, até que isso seja conhecido, será difícil falar de cura”, explica Klin. “No entanto, há tratamentos comportamentais bastante efetivos que podem ajudar crianças e adultos a superar suas dificuldades.” Para ele, o objetivo com esses tratamentos – em sua maior parte sem a utilização de medicamentos – não é curar, mas ajudar os portadores dessa desordem no seu relacionamento com outros.
É difícil precisar um tipo específico de tratamento para desordens do espectro autista, primeiramente porque elas são muitas e bastante variáveis. Há crianças autistas que simplesmente não falam; outras que repetem a mesma frase fora de contexto muitas vezes; há aquelas que não demonstram interesse por absolutamente nada, e outras que escolhem um assunto específico para se aprofundar. O espectro é, de fato, bastante amplo. Por isso, tanto psicanalistas como outros médicos e pediatras concordam que o melhor é um tratamento individualizado, de acordo com as limitações apresentadas por cada pessoa.
Autora do livro Do silêncio ao eco: autismo e clínica psicanalítica,publicado pela Edusp, a psicanalista Luciana Pires defende essa abordagem individualizada. Depois de mais de dez anos de clínica dedicada ao tratamento de crianças autistas no Brasil e na Inglaterra, Pires chegou à conclusão de que a relação do paciente com o analista é ponto de partida para que este crie condições de melhorar o desenvolvimento subjetivo e emocional da criança. “Por detrás dos mesmos sintomas, temos posições subjetivas muito diferentes. Essa compreensão orienta a ação do psicanalista na clínica do autismo”, explica ela.
Cérebro: ainda há dúvidas
Se clinicamente o autismo é bastante conhecido e suas formas de tratamento já alcançaram relativo sucesso, os mecanismos pelos quais ele atua no cérebro ainda geram dúvidas. Muitas hipóteses consideradas têm sido derrubadas por falta de comprovação. De maneira geral, a teoria mais aceita pela comunidade científica é que as mutações genéticas causam falhas de conexão entre as diferentes regiões cerebrais, o que geraria problemas em algumas estruturas, como o cerebelo, o hipotálamo (onde se sintetiza, por exemplo, a oxitocina) e o córtex.
Lazarev e Pontes, pesquisadores do Instituto Fernandes Figueira, têm utilizado a eletroencefalografia para sustentar a hipótese de que, em cérebros de pessoas portadoras de autismo, há alteração na assimetria funcional entre os hemisférios direito e esquerdo. De acordo com essa hipótese, o hemisfério direito do autista teria menor nível de ativação em comparação com a mesma região de pessoas sem o distúrbio. Ao mesmo tempo, o hemisfério esquerdo teria o que eles chamam de hiperatividade, ou seja, hiperconectividade funcional entre as diferentes regiões deste hemisfério. A hiperatividade do hemisfério esquerdo seria, portanto, uma forma de ‘compensação’ da atividade relativamente baixa do lado direito.
“Há ainda quem pense, como o psicólogo inglês Baron-Cohen, que o cérebro autista seria hipermasculino, uma vez que ele tem o hemisfério esquerdo hiperativo”, explica Lazarev. Para entender a afirmação do neurofisiologista, é importante lembrar: enquanto o hemisfério direito é ligado às emoções e às relações interpessoais, o lado esquerdo responde mais pela lógica e racionalidade. A hipótese de assimetria cerebral, portanto, converge com os principais sintomas das desordens do espectro autista.
Klin, da Universidade de Yale, entretanto, tem uma visão diferente. “A hipótese de assimetria cerebral é antiga, e alguns pensam que ela simplifica o perfil neurofisiológico do autismo”, comenta. Para ele, uma hipótese mais provável é a da ‘conectividade atípica’, que é mais recente. Segundo ela, o cérebro de um portador de autismo apresenta hipoconectividade em conexões mais longas (como entre hemisférios) e hiperconectividade em conexões mais curtas – ou ‘locais’.
Para Lazarev e Pontes, o modelo comentado por Klin, e já definido por outros autores, não vai de encontro à sua hipótese. “Esses resultados foram encontrados por meio de avaliação das oscilações bioelétricas do cérebro, que mede a conectividade de curta e longa distância entre as áreas cerebrais”, explica Pontes. “Logo, nossa hipótese está em sintonia com o modelo de conectividade atípica.”
Esses modelos, entretanto, não devem ser vistos como uma tentativa de explicar os mecanismos específicos do cérebro autista. “Essa hipótese é uma visão geral para entender os padrões de imagem do cérebro autista”, explica Klin, acrescentando que as últimas descobertas sobre a genética do autismo apontam, por exemplo, para a existência de moléculas de adesão celular que têm papel no aprendizado. “De qualquer forma, alterações cerebrais resultantes de hipóteses celulares ou moleculares ainda não foram suficientemente desenvolvidas”, resume Klin.

Isabela Fraga
Ciência Hoje/RJ
Foto:
Capa da Revista Ciência Hoje nº 45

Doentes com Autismo em Angola

Em Angola não existe cálculos de quantos doentes existem, e as autoridades sanitárias receiam que poucos estejam a receber tratamento ou qualquer orientação médica.

No Hospital Psiquiátrico encontram-se algumas crianças que desenvolveram esta doença, e que tem feito terapia de grupo e cada uma das crianças que lá se encontra vive o seu mundo imaginário.

O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afecta a capacidade de comunicação do indivíduo, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente — segundo as normas que regulam essas respostas. Esta desordem faz parte de um grupo de síndromes chamado transtorno global do desenvolvimento (TGD), também conhecido como transtorno invasivo do desenvolvimento (TID), do inglês pervasive developmental disorder (PDD). Entretanto, neste contexto, a tradução correcta de "pervasive" é "abrangente" ou "global", e não "penetrante" ou "invasivo".



Fonte e Fotos:
Televisão Pública de Angola

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nova droga contra o autismo surpreende em pesquisa preliminar

Pesquisa de empresa norte-americana aponta possibilidades no tratamento do problema, mas novos testes ainda devem ser feitos
Apesar de ser uma pesquisa preliminar, cientistas parecem estar chegando a uma explicação molecular para pelo menos alguns casos de autismo. Pesquisas conduzidas com animais e em um pequeno ensaio clínico com crianças parecem sustentar a ideia de que o autismo é causado por uma falta de regulação química nas sinapses – as ligações entre as células cerebrais.
As últimas evidências disso vêm de um ensaio clínico realizado com 25 crianças e adolescentes autistas entre 6 e 17 anos de idade. O teste foi conduzido pela empresa Seaside Therapeutics of Cambridge, do estado americano de Massachusetts. Em dados publicados na semana passada, as crianças aparentemente tiveram resposta satisfatória à droga Arbaclofen, sofrendo efeitos colaterais mínimos. O Arbaclofen está relacionado ao componente baclofen, comumente usado como relaxante muscular e agente antiespasmódico. As crianças receberam doses do medicamento durante oito semanas e muitas delas apresentaram melhoras significantes quanto à irritabilidade e a comunicação – dois problemas comuns no autismo.
A descoberta é considerada preliminar porque o estudo não foi do tipo placebo-controlado, ou seja, os cientistas não puderam comparar as crianças que tomaram o medicamento com crianças tomando placebo. Segundo Jeremy Veenstra-VanderWeele, professor assistente de psiquiatria, pediatria e farmacologia da Vanderbilt University, isso é especialmente importante em estudos de autismo, pois muitos dos testes usados para avaliar pacientes são subjetivos, incluindo avaliações comportamentais de pais e profissionais de saúde. Alguns pacientes dele participaram do teste.
Embora mais estudos sejam necessários, Veenstra-VanderWeele diz que a eficácia da droga foi uma surpresa agradável. O especialista disse que um paciente adolescente que teve poucos benefícios de outros medicamentos estava bastante agitado no início do estudo, incapaz de permanecer na sala com os investigadores por mais de alguns minutos. Oito semanas depois, o mesmo escrevia bilhetes e parecia muito menos ansioso e agressivo – reação incomum e especialmente animadora da medicação, afirmou o professor, que não tem vínculos financeiros com a empresa que custeou os testes.
Contato com os olhos
No geral, os participantes da pesquisa pareciam estabelecer contato com os olhos mais facilmente, alem de se mostrarem menos agitados e ansiosos, disse Paul Wang, vice-presidente de desenvolvimento clínico da Seaside e pediatra especializado em comportamento e desenvolvimento. Alguns deles conseguiram interagir com os colegas mais facilmente e se mostraram menos propensos ao comportamento autoestimulatório conhecido como “stimming” – o movimento corporal repetitivo característico do autismo.
A empresa responsável pela pesquisa também testou o Arbaclofen em crianças vítimas da Síndrome do X Frágil, distúrbio genético geralmente relacionado ao autismo. De acordo com ela, tal experimento, maior e com grupo-controle de placebo, também mostrou resultados positivos. O sucesso dos testes com o medicamento, com base em outras pesquisas, sugere que o X Frágil é o primeiro modelo molecular satisfatório de autismo, disse Randi Hagerman, professor de pediatria da Universidade da Califórnia em Davis e diretor médico do MIND Institute, da mesma instituição. Hagerman trabalhou com a Seaside em testes relativos ao X Frágil, mas não neste novo experimento.
Causas desconhecidas
O desenvolvimento de novas drogas para tratar o autismo é bastante desafiador. Parte disso se dá ao fato das causas da doença ainda serem desconhecidas. Os sintomas do distúrbio variam muito de uma pessoa para outra, além da doença não poder ser diagnosticada por exames de sangue ou tomografia cerebral. O Arbaclofen é um dos únicos medicamentos que já mostraram algum benefício.                       
A droga funciona aumentando a produção do aminoácido GABAB, que inibe a liberação de neurotransmissores nas sinapses. É possível que a ativação insuficiente do GABAB nas sinapses das células de uma parte específica do cérebro leve à ansiedade excessiva, comum em vítimas do autismo e da Síndrome do X Frágil, disse Randall Carpenter, presidente e um dos fundadores da empresa que realizou a pesquisa.
Ainda é muito cedo para prever se a droga terá sucesso também em estudos clínicos maiores e, se tiver, em que idade o tratamento deve ser iniciado. A empresa apenas testou o medicamento em crianças acima de 6 anos, pois essa é a faixa etária usada atualmente no tratamento da irritabilidade em crianças autistas.

Fonte:
http://www.emesmo.com.br/
New York Times
Foto: Google.