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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Atendimento ao paciente dentro do espectro Autista

 O artigo apresenta os cuidados odontológicos destinados aos pacientes com autismo

De acordo com a Associação Americana de Autismo (ASA, 1978), o autismo é uma inadequacidade no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida, incapacitante e que aparece tipicamente nos três primeiros anos. Acomete cerca de 20 entre cada 10 mil nascidos, e é quatro vezes mais comum no sexo masculino do que no feminino. É encontrado em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. Não se conseguiu até agora provar qualquer causa psicológica no meio ambiente dessas crianças, que possa causar a doença.Segundo a ASA, os sintomas são causados por disfunções físicas do cérebro, verificados pela anamnese ou presentes no exame ou entrevista com o indivíduo, e incluem:
 
         Distúrbios no ritmo de aparecimentos de habilidades físicas, sociais e linguísticas.
• Reações anormais às sensações. As funções ou áreas mais afetadas são: visão, audição, tato, dor, equilíbrio, olfato, gustação e a maneira de manter o corpo.
• Fala e linguagem ausentes ou atrasadas. Certas áreas específicas do pensar, presentes ou não. Ritmo imaturo da fala, restrita compreensão de ideias. Uso de palavras sem associação com o significado.
• Relacionamento anormal com os objetivos, eventos e pessoas. Respostas não apropriadas a adultos e crianças. Objetos e brinquedos não usados de maneira devida.

   Figura 1 - Paciente com auxílio de boneca e fantoche para condicionamento lúdico
 
 Figura 2 - Abridor de boca com palitos de madeira
 
  Figura 3 - Paciente segurando o abridor de boca, auxiliando no procedimento
Figura 4 – Paciente mostra colaboração durante o tratamento

CASO CLÍNICOFigura 5 - Presença de sugador

Paciente do gênero masculino, 17 anos, com características dentro do espectro autista chegou ao consultório para realização de tratamento odontológico.
Foi realizada a anamnese para conseguir detalhes suficientes para iniciar as sessões de condicionamento e facilitação de atendimento. Durante a anamnese a mãe relatou que o paciente adorava bonecas de cabelo comprido, então foram selecionados o fantoche e a boneca para auxiliarem no condicionamento lúdico. Todo procedimento foi apresentado ao paciente seguindo o método falar-mostrar-fazer, além disso, todo comportamento favorável era elogiado e celebrado com bolinhas de sabão, simplesmente assoprando bolinhas e batendo palmas. Quando um comportamento correto é celebrado, normalmente ele é repetido, por isso devemos descartar os comportamentos inadequados e não evidenciar o erro. A higiene bucal do paciente era favorável e feita pela mãe. Foi realizada uma classe I na oclusal do 17 e a profilaxia com orientação de higiene oral.
 Figura 6 - Paciente mantendo
a abertura de boca para uso de
alta rotação 
Figura 7 - Paciente colaborando com o tratamento
e interagindo com o profissional
Figura 8 - Presença de sugador e alta-rotação X
hipersensibilidade auditiva

CONCLUSÃO

Para atender esse tipo de paciente é necessário o conhecimento da patologia clínica, autismo, para minimizar o estresse durante o procedimento. São pacientes com hipersensibilidade auditiva, o que dificulta a aceitação do alta rotação, por isso a necessidade de condicionamento para todas as fasesdo tratamento. Em alguns casos, a presença do foco de luz na face também pode desencadear uma crise com início de movimentos esteriotipados comuns ao autismo. A orientação de higiene também é seguida da necessidade de prevenção para diminuir o número de intervenções que esse paciente possa necessitar. O ideal é marcar retornos periódicos para que essa prevenção seja efetiva, descartando a possibilidade de intervenção com anestesia geral em ambiente hospitalar, muito comum a esses pacientes. 

 
 
 
Referências Bibliográficas
 
1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. DSM-IV-TR. Porto Alegre: Artmed; 2002.
2. Assumpção Júnior, Francisco Baptista. Psiquiatria da infância e da adolescência. São Paulo: Santos; 1994.
3. Assumpção Júnior, Francisco Baptista. Transtornos invasivos do desenvolvimento infantil. São Paulo: Lemos Editorial; 1997.
4. Gauderer, E. Christian. Autismo. São Paulo: Atheneu; 1993.
5. Gauderer, E. Christian. Autismo e outros atrasos do desenvolvimento: guia prático para pais e profissionais. Rio de Janeiro: Revinter; 1997.
6. Moore, ST. Síndrome de Asperger e a escola fundamental: soluções práticas para dificuldades acadêmicas e sociais. São Paulo: Associação Mais 1, 2005.
7. Organização Mundial de Saúde. Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. CID-10. São Paulo: EDUSP; 2000.
8. Schwartzman, José Salomão. Autismo infantil. São Paulo: Memnon; 2003.
9. Zink,AG et al. Atendimento odontológico do paciente autista – Relato de caso. Revista ABO Nacional – vol.16, nº5, 313-316, out/Nov.2008. 







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