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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Mau Uso da Palavra




   Portugal 1 x Brasil 0
   De repente o gol inesperado.
   Portugal saiu na frente.
   A conferência de líderes parlamentares de Portugal adotou a recomendação para que no debate político, os intervenientes não mais se acusem uns aos outros de autistas.
   Essa recomendação foi adotada na Assembléia Nacional portuguesa, por unanimidade, estabelecendo que os políticos não mais se acusem uns aos outros de autistas, principalmente fazendo da síndrome uma arma política para depreciação de pessoas.
   Politicamente correto, pois parece simples porque foi em Portugal não é mesmo?
   Não. Não deve ter sido tão simples assim, já que no Brasil isso ainda não aconteceu porque além de difícil, nesses assuntos de discriminação e preconceito o jogo por aqui é duríssimo por aqui e sempre tem prorrogação.
   O político brasileiro, sem generalizar é claro, orientado para usar propaganda enganosa, corrompe e distorce as palavras de acordo com o oportunismo que lhe convém.
   O mau uso da palavra autista aumentou ciclicamente a partir da síndrome da corrupção que assolou o atual governo, quando políticos que não perdem tempo para falar mal de outras pessoas, no final se perdem em suas próprias palavras, sem saber que estão atingindo gravemente a quem nada tem a ver com as suas atitudes recrimináveis, causando traumas e danos irreparáveis.
   Se a questão é falar mal de alguém ou de alguma coisa, que nem sabe o que falou, para benefício próprio, não é preciso pensar que se está acima de tudo.
   Sem querer ser mágico ou adivinho, esse evento no âmbito político português poderá ser uma espécie de desafio para outros países começarem o mesmo procedimento.
   Imagino que minhas parcerias das lides autísticas, começam a pensar que não perderam tempo em bater sempre na mesma tecla, combatendo, brigando, esclarecendo que o mau uso da palavra autista, estava sendo usado para colocar defeitos na vida e na conduta dos outros, favorecendo o estigma da discriminação e do preconceito contra o portador da síndrome.
   Confesso que já estava cansado, mas nunca perdi a esperança de que um dia o vento poderia começar a soprar na direção do autista para este conquistar seu lugar no contexto de ser bem aceito na vida, pelo menos defendido, mesmo que contrariando regras obrigatórias em favor de todo ser humano.
   Quem sabe esse vento sopre até encontrar o ponto de equilíbrio para chegar ao caminho que não sabe, não lhe interessando o outro extremo, pois os autistas tendem repetir os seus estereótipos fora do contexto político ou da cultura que estão inseridos. São soberanos despreocupados com mesquinharias.
   A palavra é uma das mais poderosas ferramentas que o ser humano possui, embora seja uma faca de dois gumes, além de poder criar um sonho ou destruir tudo, o mau uso dela, também pode gerar um ferimento profundo. Por isto se diz que “As palavras são como plumas jogadas ao vento”. Não há como juntá-las novamente.”
   O mau uso da palavra autista dependendo da forma como é usada, pode libertar ou aprisionar mais ainda o seu portador, já que “A mente do ser humano é fértil, mas apenas para as sementes para as quais é preparada: se para sementes do amor ou ódio; da mentira ou da verdade; do medo ou da coragem e discernimento.”
   Pais de autistas, no sentido duplo da palavra, também devem ser cuidadosos com o uso da palavra, para que ela não se volte contra si mesmo. Quem nunca usou mal uma palavra, ou quem nunca falou mal de alguém, que me atire a primeira pedra.
   Sempre que escutamos uma opinião e acreditamos nela, fazemos um compromisso que se torna parte do nosso sistema de crenças, como aquelas mentiras implantadas em nossa mente num momento em que nossa atenção foi captada e estava receptiva para aceitar como verdade.
   Nos eventos do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, um senador brasileiro expressou em Plenário seu temor que estados e municípios, com tantas dificuldades na área de saúde, "não apliquem recursos para as necessidades da pessoa com deficiência”, mas que "criem a cultura, consolidem os serviços e acertem os encaminhamentos necessários" para atender os deficientes físicos, intelectuais e autistas.
   Já escrevemos sobre o “Autismo Político” que surgiu como protesto de quem não gosta de ver a palavra que caracteriza a síndrome como uma fonte de insulto ou crítica política.
   Se fizermos um compromisso conosco mesmo, apenas com a intenção do bom uso da palavra autista para manifestações por nossos filhos, autistas ou não, estaremos ensinando a usá-la em direção da verdade e do amor.
   O exemplo veio de além mar.