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sábado, 31 de dezembro de 2011

A educação inclusiva uma utopia?

No Brasil o discurso sobre inclusão de pessoas com deficiência quer seja na escola, trabalho, lazer, espaços sociais tem sido ainda uma utopia. As mudanças de fato estão sendo forjadas por grupos de pais mais organizados, educadores, alguns líderes políticos, entidades, ONGs e os meios de comunicação.  Está caminhando a passos curtos, mas caminhando em alguns locais, regiões.
A preocupação reside ainda, somente com os resultados quantitativos como, por exemplo, quantos alunos com deficiência estão matriculados nas escolas do Brasil, do que com os resultados qualitativos das relações com aprendizagem e conhecimento, que seria importante saber, por exemplo, de que maneira estes alunos estão matriculados, como estão sendo atendidas as necessidades singulares destes alunos, como estão aprendendo, se relacionando, se estão felizes e realizados. Do ponto de vista dos professores, as perguntas recairiam, estão sendo capacitados e aprendendo de fato, mudaram suas atitudes, o currículo e avaliação da escola foram modificados e o plano político pedagógico, há cooperação entre a saúde e educação para atender os casos de alunos com autismo, dentre outros que precisam de atendimento clínico especializado, e viriam muitas outras indagações, sem falar das questões da família que vamos ponderar mais abaixo.
Perguntas estas que não calam, mas ficam veladas a espera de atitudes mais eficientes e humanizadoras. Muitas ações de políticas públicas do governo federal estão sendo efetivadas e apoiadas no âmbito estadual e municipal. Contudo, as escolas estaduais por serem maiores em demanda de alunos sendo que na mesma proporção acontece com o numero de seus professores que precisam ter formação para compreenderem a educação inclusiva, são as que apresentam as maiores dificuldades em relação às escolas municipais e particulares. O Ministério da Educação tem em seu bojo uma proposta de vanguarda, mas as dificuldades são de ordem pragmática, ou seja, políticas públicas mais eficientes, investimentos em formação e materiais pedagógicos (tecnologias assistidas), trabalho e investimento para mudança cultural de atitudes ainda preconceituosas e falta de informação para a população geral.
A Educação Inclusiva não se restringe a educação, mas uma forma social de relacionar-se com o ser humano. É um processo árduo, desafiador mudar a cultura do ser humano!
O que observamos é que cada um faz uma parte que nem sempre forma um todo convergente, um emaranhado entre leis, projetos, iniciativas, verbas, metodologias que por muitas vezes se desencontram da concepção humanística, tornam-se apenas uma retórica universitária ou um projeto político fugaz.
A educação inclusiva é um direito humano, é uma educação de qualidade e precisa ter um bom senso social. Uma escola inclusiva é aquela que encoraja todas as crianças a aprenderem juntas, colaborando e cooperando mutuamente. Uma escola que discorde da prática de separar as crianças em capazes e incapazes. Uma escola que concorde que todas as crianças são capazes e que cada criança é capaz a seu modo. Uma escola que admite que cada criança aprende de um jeito só dela e, por isso, tem o direito de aprender do jeito dela. Uma escola que ensina o que as crianças querem e precisam aprender em função da situação de vida de cada criança. Uma escola que faça das crianças felizes!
Mas ainda as escolas estão focadas para que as crianças passem no vestibular, sejam competitivas, individualistas que é bem diferente de ser independente e autônoma.
Partimos do pressuposto de que entendemos a Educação Inclusiva como sendo um conceito muito mais amplo do que o de inserção do aluno com deficiência nas escolas regulares, como é resumidamente pensado, mas com uma visão mais expansiva do caminho a ser percorrido por este sujeito, desde a hora do seu nascimento, com uma acolhida planejada e articulada entre os profissionais das diversas áreas. Parto do princípio de uma inclusão programada e gradativa, responsável passo a passo dentro de um referencial ético. Tanto para quem está sendo incluído podendo ser “a criança, jovem, adulto, a família”, todos estão saindo de um modelo de exclusão, todos estavam ou estão em alguma medida institucionalizada quer seja em escolas especiais, classes especiais ou qualquer outra forma de exclusão social marginal.
O trabalho em conjunto com a família é fundamental não existe inclusão se a família não fizer parte do processo, muitas vezes só trocamos o aluno de lugar a os pais continuam reagindo da mesma forma, não há apoio, não há compreensão, apenas a necessidade de resultados. A família também precisa ser incluída, desde a sensibilização aos professores e capacitação continuada, enfim todos deverão fazer parte do processo.
Numa outra perspectiva, constatamos uma inegável mudança de postura, de concepções e atitudes por parte de educadores, pesquisadores, de agentes sociais, formadores de opinião e do público em geral. Estas mudanças se traduzem na incorporação das diferenças como atributos naturais da humanidade, no reconhecimento e na afirmação de direitos, na abertura para inovações no campo teórico-prático e na assimilação de valores, princípios e metas a serem alcançadas.
Também precisamos de medidas que visem assegurar os direitos conquistados, cada vez mais à melhoria da qualidade da educação, e investimentos em uma ampla formação dos educadores, a remoção de barreiras físicas e atitudinais, a previsão e provisão de recursos materiais e humanos entre outras possibilidades. Nesta dimensão se potencializa um movimento de transformação da realidade para se conseguir reverter o percurso de exclusão de crianças, jovens e adultos com ou sem deficiência no sistema educacional.
Alguns dos trabalhos mais recentes realizados por Edgar Morin (2002) para a Unesco tentam responder a interrogações que nos esperam a cada dia quando entramos na sala de aula: o que a escola tem para ensinar?
Ensinar as cegueiras do conhecimento: dar a oportunidade de aprender sobre a ilusão e os “erros da mente”; ensinar os princípios do conhecimento pertinente: ensinar a interpretar o contexto e a resolver problemas; ensinar a condição humana: ensinando que o ser humano é ao mesmo tempo físico biológico, psíquico, cultural, social e histórico, ensinar a identidade terrena e a história da terra: para que se compreenda desde idades tenras que o destino do homem está intimamente ligado ao destino da terra e da natureza.
Enfim acredito, aposto na utopia da escola inclusiva. Posso dizer que sofro de “utopismo”, que consiste na ideia de idealizar não apenas um lugar, mas uma vida, um futuro, ou qualquer outro tipo de coisa, numa visão fantasiosa, sonhadora e normalmente contrária ao mundo real.
O “utopismo” é um modo absurdamente otimista de ver as coisas do jeito que gostaríamos que elas fossem. E se os sonhos podem ser transformados em realidade, então vamos lá, mãos a obra!

Drª Marina S. Rodrigues Almeida
Psicóloga, Psicopedagoga e Consultora de Educação Inclusiva
Publicado em UOL - 22.11.2011
Foto UOL

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

De olho em 2012: Biodesign

Nesta época, as revistas científicas, jornais e meios de comunicação procuram sempre fazer retrospectivas dos assuntos mais interessantes do ano que passou.
      Outros veículos aproveitam para prever áreas que podem ter um impacto maior no ano que vem. Enfim, para fugir um pouco desse paradigma, decidi escrever algo diferente. Procurei unir as duas coisas, passado e futuro, juntando ciência e arte em conceitos que acredito que venham fazer parte do nosso dia a dia em breve. Veja se você concorda.
      Decidi focar no biodesign. O conceito de design biológico não é novo, mas sinto que no Brasil poucos profissionais da ciência estão familiarizados com essa ideia. Acredito que nosso país tem um potencial enorme para explorar esse tipo de interface entre arte e ciência.
      O biodesign não usa apenas plásticos, vidros e madeira como matéria-prima, mas sim coisas vivas, como organismos e células. As implicações dos projetos vão além da equação forma-função ou do conceito de modernidade, conforto e progresso que prevê o design clássico.
      O biodesign transcende essa tradição e provoca curiosidade, uma ótima forma de difusão científica.  Em geral, os profissionais, na maioria biólogos, incorporam seres vivos em seus projetos, procurando usufruir dos ciclos biológicos de cada espécie. Obviamente, como acontece em diversas disciplinas, algumas ideias são boas e podem ser aplicadas na prática – outras nem tanto.
      Um bom exemplo de aplicação prática é o trabalho de Susana Soares (foto acima), que treinou abelhas a reconhecer sinais químicos expelidos na nossa expiração. Ela conseguiu combinar o extraordinário poder olfativo das abelhas, capazes de detectar concentrações ínfimas de hormônios e toxinas, com o reflexo pavloviano.
      O resultado são abelhas que servem como ferramentas de diagnóstico para doenças do coração e testes de gravidez, por exemplo. E basta um assopro. A ferramenta está sendo aplicada em estudos sobre a malária, na tentativa de descobrir por que algumas pessoas são mais atraentes que outras aos mosquitos.

      Outro exemplo vem do trabalho de Revital Cohen, redirecionando cães de corrida aposentados para ajudar pessoas com dificuldades de respiração ou problema renais (foto ao lado).
      Esse sistema híbrido funciona de forma holística e simbiótica e independe de eletricidade. Projetos como esse fazem pensar em milhares de outras situações em que poderíamos usar o próprio desperdício humano para gerar algo produtivo. Estimo que cerca de dois bilhões de pessoas no mundo gastem pelo menos 1 minuto por dia jogando paciência ou cultivando seu FarmVille. Esse tempo poderia ser aproveitado para alguma coisa mais proveitoso.
      No caso dos micro-organismos, ressalto o trabalho de Alexandra Ginsberg, que se aproveita da engenharia genética e da biologia sintética para criar bactérias que fabriquem pigmentos. Esses seres redesenhados, inofensivos ao homem, estão sendo amplificados para produzir material para impressoras e outros tipos de tintas.
      Outro projeto dela, intitulado Estética Sintética, incorpora bactérias re-engenheiradas como ferramentas de diagnóstico. O sistema, batizado de E. chromi, funciona da seguinte forma: o paciente ingere um líquido (como um milk-shake probiótico) contendo bactérias que reagem com enzimas e outros agentes químicos, mudando de cor.

      As diferentes colorações representam nutrientes presentes no organismo e podem ser visualizados nas fezes. Basta uma olhadinha após um “número dois” para saber se está tudo em ordem.
Obviamente que Alexandra também pensou numa forma de calibrar as cores, montando um “escatálogo” com modelos que simulam diversos tipos de fezes, como na foto ao lado.
      A aplicação desse sistema para indivíduos debilitados por alguma condição é o próximo passo. Recentemente, descobri como é difícil para os pais de uma criança autista (e provavelmente para pacientes com outros problemas) manter a higiene bucal do filho. O sistema E. chromi poderia ser aplicado em autistas, por exemplo, como marcador da qualidade das bactérias presentes na dentição. As saudáveis ficariam coloridas, e as demais, pretas (foto abaixo). Isso poderia servir como um guia durante a escovação.

      Com os avanços da genômica e da engenharia de tecidos, acredito que o biodesign será imprescindível no futuro. De olho nesse mercado, algumas universidades americanas e europeias já criaram cursos de graduação especializados nessa abordagem.
      Os profissionais ainda são encarados de forma suspeita pela academia tradicional, mas penso que seja uma questão de tempo para que a situação se inverta. Sabendo da capacidade e da criatividade dos cientistas/artistas brasileiros, proponho a fundação da Escola Brasileira de Interação Ciência-Design, com disciplinas abrangendo biologia molecular, células-tronco, história da arte, propaganda e marketing, e por aí vai.
      Viajei?

 Alysson Muotri

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Autismo na França: bem-vindo à terra dos horrores

    Em março, fizemos ecos ao sofrimento por que passam as pessoas com autismo e suas famílias na França.                    
    Nos últimos meses, continuamos a coletar informações e entrar em contato com vários ativistas pelos direitos das pessoas com autismo naquele País e as informações (em primeira mão) que nos têm fornecido é tão grande que decidimos fazer este relatório sobre a situação atual, gravíssima, a que o país mantém as pessoas com autismo e suas famílias. Queríamos ter feito uma lista dos direitos das pessoas autistas que são violados na França mas, já que são quase todos, resolvemos pular essa parte.

Educação

    Na França, uma criança diagnosticada com autismo praticamente não tem o direito à educação. Apenas 20% das crianças com autismo conseguem acesso à educação. E estes 20% "afortunados", na maioria, coincidem com as crianças diagnosticadas com Autismo de Alto Funcionamento e Síndrome de Asperger.  De qualquer forma, esse acesso à escolaridade regular não é de 100%. Este problema também se aplica a crianças com outros problemas, como déficit de atenção e hiperatividade, disfasia etc ...
     Os afortunados 
Espera-se que esses 20% de crianças "afortunadas" vão à aula com seu AVS (Assistante de Vie Scolaire - auxiliar de vida escolar) ou EVS (Employée de Vie Scolaire - empregado de vida escolar) e, caso se comportem bem, podem continuar a frequentar uma escola regular (Caso contrário, serão expulsos do centro). Mas, claro, para que a criança conheça seu AVS ou EVS será necessária uma espécie de alinhamento cósmico e planetário. Que seja concedido esse apoio pessoal à criança é uma questão de pura sorte e não um direito. O outro problema é que uma grande percentagem desses trabalhadores não têm formação e muda a cada ano. Se tiver sorte e ganhar a loteria do assistente especializado, você nunca saberá o que vai acontecer no ano seguinte. "Há tantas situações particulares como há crianças: levaria anos para fazer uma lista de casos ilógicos e escandalosos. Novamente, tudo tem a ver mais com sorte que com direito" é a informação que nos mandam da França, a respeito desta questão.
    Temos também a figura do SESSAD - Service d’Education Spéciale et de Soins A Domicile (Serviço de Educação Especial e Assistência a Domicílio"), (ou seja, profissionais QUE intervêm no meio "normal" para dar ajuda e aconselhamento aos professores e cuidadores de crianças). Tal como acontece com AVS e EVS tudo diz respeito a onde você vive... e sorte. Cada SESSAD pode usar um modelo diferente e assim nos deparamos com muitos tipos diferentes de apoio ou assistência apresentados como SESSAD. Mais uma vez, entramos neste tipo de roleta russa da sorte. O problema de jogar roleta russa é que a bala te acerte.
    Na fronteira do bem e do mal: Quando a criança atingir sete anos, se a equipe docente achar que não tem o ritmo certo, irá enviá-la a uma escola especial ou a uma sala de educação especial dependentes de um destes centros, goste a família ou não. E se a família se opuser, a criança ficará em casa. Isso se aplica não apenas ao autismo, mas a outros tipos de deficiência.
    
Educação Especial


Torturando um menino com Packing

    Pressupõe-se que os “Instituts Medico Educatifs” (Institutos médico-educativo), ou IME, sejam Centros de Educação Especial do país do conhaque. Mais uma vez, devemos colocar nas mãos do destino, dos alinhamentos planetários e do horóscopo chinês, já que, com os IMEs se passa algo parecido com os SESSAD. Em alguns casos, os IMEs são regidos por sistemas de psicanálise, "packing", "pataugeoire" (colocam a criança em um maiô, em uma pequena piscina inflável, e dois "terapeutas" observam seu comportamento na água: se toca as partes íntimas ou não, como evolui, seus gestos, suas expressões, e tiram conclusões a partir dessas observações) e uma série de atrocidades próprias do início do século passado, por isso, se nos for indicado um desses IMEs, é melhor para a criança ficar em casa. Podemos também darmos de cara com IMEs tentando implementar outras estratégias educativas. No entanto, as relações aluno/terapeuta geralmente giram em torno de 12 para 1, sem contar a melhor ou pior qualificação da equipe de intervenção terapêutica. Os IMEs realmente tornaram-se um lugar comum de detenção de crianças, mas com passe livre a noite.
  O outro problema é que, se um IME faz um bom trabalho, rapidamente satura; as famílias inclusive migram para outras regiões para ter acesso a esses raros lugares.
    O "Hôpitaux de Jour" (Hospital Dia) é algo como uma casa de horrores. Um centro ligado à área de psiquiatria do hospital onde se maltratam diariamente os casos mais graves. Por sua vez, estes centros têm por bem não dar quase nenhuma informação sobre que tipo de intervenção fazem com as crianças.      Tampouco nada parece ciência certa nem se tem feito estudos sérios sobre o tipo de intervenção e seus resultados. Como há pouca supervisão local (ou nenhuma) pelo Ministério da Saúde (embora haja Agências Regionais de Saúde: ARS) em relação às melhores práticas, as equipes desses centros fazem o que querem, desde que não ponham a criança em perigo, e não há queixas legais das famílias (a verdade é que com pouca informação é difícil fazer uma reclamação bem documentada). Outro aspecto "inacreditável" desses centros é que muitos deles seguem o caminho da psicanálise e estão determinados a "estudar" a família inteira para provar que a culpa é deles, principalmente da mãe!
   
 Profissionais qualificados

    Frente a este panorama incrível, o número de profissionais treinados e qualificados é muito baixo. Ao mesmo tempo, há pouco apoio financeiro à formação especializada nesta área. Praticamente todo o apoio financeiro do governo vai para os centros que acabamos de mostrar. Profissionais de qualidade, que não vivem em 1905 como o resto de seus "colegas", trabalham em centros privados, sendo por isso muito caros e além do alcance da grande maioria da população.

    Este tipo de centros, onde podemos encontrar sistemas de intervenção reconhecidos em todo o mundo (ABA, TEACHH, PECS, ...), só obtêm 10% dos fundos para o autismo, com o que o desenvolvimento de planos modernos e eficientes de intervenção para o autismo torna-se impossível.
    A Família
    Por trás desta imagem tão desoladora, há dezenas de milhares de famílias a sofrer todos os dias esta situação terrível. Essas famílias enfrentam muitos problemas com os quais devem lutar todos os dias, encontrando na maioria das vezes uma "Linha Maginot", uma barreira social e burocrática.
    E que saídas existem? Atualmente as famílias francesas encontram situações tão absurdas que escapam de qualquer lógica, posto que torna mais difícil até mesmo poder enfrentar a situação.
    Por um lado, ficam cara a cara com a infelicidade de não ganhar a "loteria" a que nos temos referido nesta reportagem; por outro lado, devem enfrentar diagnósticos mais que duvidosos e um modelo de intervenção mais próximo do "Doutor Mengele" que dos verdadeiros modelos de intervenção. Muitas famílias optam por ter um dos pais abandonando os trabalho a fim de cuidar de seu filho de uma forma humana. Ao mesmo tempo, têm que chegar a o nível de conhecimento e preparo necessário no menor tempo, sem acesso aos recursos e sem muitas condições econômicas, para tornar-se terapeutas de seus filhos. Não esquecendo que enfrentam a rejeição social, o esquecimento burocrático e a perda de direitos.
Talvez, se você tiver uma família afortunada com muita sorte, a "Maison des Personnes  Handicapées" (MDPH) de sua região (há mais de 80) será pró-ativa e poderá apoiá-lo, desde que seja inteligente o suficiente para contornar o labirinto legal e burocrático que existe antes de conseguir subsídios e benefícios econômicos. Se conseguir, poderá ter dinheiro suficiente para ajudar a custear algumas intervenções. Dependendo de onde morar e de quão hábil seja, poderá obter o suficiente, ou nada. Então, se você não tem recursos financeiros suficientes, você não poderá dar as oportunidades que a criança merece e isso, como é claro e normal, aumentará (ainda mais) a tensão no seio da família. Esse sentimento de impotência e perda de esperança corroi o espírito mais firme.
    Ação Direta: Dada esta terrível situação, as famílias estão se organizando e começando a organizar todo o tipo de protesto e ações contra essa situação que prejudica diretamente os direitos, liberdade e dignidade de milhares de cidadãos franceses. Nessa luta pela dignidade, o respeito, os direitos e a igualdade devem ter todo o apoio da comunidade internacional. Pois mesmo na França há uma democracia real.
    Alguns nomes
    Talvez hoje a técnica de packing seja a tortura mais famosa dos "especialistas" franceses. E ainda se permitem dar cursos de formação e realizar estudos, tudo pago com dinheiro público, evidentemente. Se você não sabe o que é o packing, assista a este vídeo, onde vai ver um jovem embrulhado em lençóis molhados e muito frios, como se fosse uma múmia, deixando apenas o rosto descoberto. Supõe-se que este castigo físico e agressão emocional seja uma terapia?
    Mais informações sobre os centros que estão realizar um "estudo" de "packing" no site de Autisme Infantile, assim poderão evitar que estes centros torturem algum ente querido.
    Outro dos "brilhantes" pontos dos psicanalistas franceses é seguir culpando a mãe pelo autismo de seu filho. 
     Abordamos essa questão sobre a teoria de Bruno Bettelheim e as mães no artigo: ¿Madres Nevera? o ¿la frialdad de un hombre? Bruno Bettelheim.
    
Campanha Um Crocodilo para Genevieve Loison


    E continuando na mesma linha não percam tempo com a Sra. Geneviève Loison, que afirma que as mães são nada menos do que um crocodilo! Apesar de sua aparência de "Vovozinha" os danos que esta senhora produziu e continua a produzir a todas as pessoas que têm a infelicidade de passar por suas mãos não tem tamanho. Assim, famílias francesas começaram uma campanha contra a Sra. Geneviève Loison, sob o slogan "Um Crocodilo para Genevieve". 
    Pode-se ver mais informações no mural do Facebook de Autisme Infantile.
    Este é um breve resumo da situação atual. Realmente o problema é sério o suficiente para se dedicar muito mais espaço, mas a intenção foi abordar uma realidade concreta. Certamente não é uma situação feliz para ninguém, embora dar visibilidade a estes é parte da responsabilidade dos meios de comunicação. Isto é o que está acontecendo e isto é o que contamos.

Matéria publicada  simultaneamente no:
http://cronicaautista.blogspot.com
Postado por Argemiro Garcia
20.12.2011 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Todo dia é Natal

Para ampliar a visualização, clique na imagem.
  Olá Gente Amada

    As figuras que você verá nesta cartão natalino, são frequentadores aqui da casa onde vivemos.
    Os ovos, são de sabiás, do condomínio de ninho de passarinhos que tem na frente da casa suportados por uma hera gigante e um pé de mamão que nunca produziu um fruto, pois não suporta o inverno curitibano.
    No condomínio de passarinhos tem rolinhas como sentinelas na calha de chuva, como se estivessem guardando o nascimento dos parceiros  sabiás, caminheiros, canarinhos terra, pardais, sanhaços, bem-te-vis, tico-ticos (de vez em quando aparece algum, ainda)  e outros menos votados que não sabemos o nome.
    Tem a perereca e o sapo Zeca que encontraram aqui um canto para se esconder da predação na ecologia.
    Tem a foto do granizo que volta e meia desfolha árvores, fura os telhados com sua força arrasadora, causa transtornos, mas nada de grave que não se conserte, e como representante das geadas de inverno nos faça desistir do bem estar da renovação da natureza.
    Tem a florzinha que não sabemos o nome, mas parece-nos a Excelsa Mãe orando pela Renovação.
  "Que neste Natal haja paz em nossos corações e que a comemoração natalina seja um bom motivo para reflexão sobre tolerância e aceitação de todas as diferenças."
     Nossa família assina e abraça a todos amorosamente.
    Na Luz e na Paz
    Nilton Salvador  


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nosso cérebro toca sua própria música


 Seria possível colocar nosso cérebro no ritmo mais próximo ao de um Mozart ou Einstein?
[Imagem: Mehta/Kumar]


Rádio cerebral

Cientistas já haviam demonstrado que o cérebro possui "estações de rádio", transmitindo em várias frequências.
Isso alterou completamente a visão que se tinha até então da chamada atividade neural, que era vista como uma sequência homogênea de pulsos elétricos.
Agora, pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA) mostraram como essas estações de rádio cerebrais criam ritmos adequados para o aprendizado.
A descoberta, que, juntamente com a anterior, desafia o conhecimento que se tinha dos mecanismos de funcionamento do cérebro e do aprendizado, poderá levar a novas terapias para ajudar a tratar problemas de aprendizado e memória.

Sinapses

Hoje considera-se que o cérebro aprende através do reforço de suas sinapses, a conexão entre os neurônios - quanto mais fortes são as sinapses, maior é o aprendizado.
A alteração na força de uma sinapse - chamada plasticidade sináptica - ocorre através das chamadas sequências de disparo, séries de sinais neurais que ocorrem em várias frequências e em temporizações diferentes.
Contudo, em seus experimentos, os cientistas vinham usando apenas a frequência desses disparos, mostrando que muitos disparos reforçam a sinapse.
E eles usam muitos disparos mesmo, centenas deles, quando o cérebro em condições reais não usa mais do que 10, e a uma velocidade de 50 disparos por segundo, quando os experimentos usavam uma frequência irreal de 100 disparos por segundo.
Os cientistas não faziam isso porque eram "sem noção", mas porque não havia tecnologia disponível para fazer melhor.
A pesquisa mostrou que os neurônios e as sinapses não são meros fios elétricos carregando uma corrente - eles precisam de ritmo. [Imagem: UCLA]

A pesquisa mostrou que os neurônios e as sinapses não são
meros fios elétricos carregando uma corrente - eles precisam de ritmo.

[Imagem: UCLA]
Antena no cérebro

Agora, Mayank Mehta e seu colega Arvind Kumar criaram essa tecnologia, partindo de novos modelos matemáticos que otimizaram a captura das medições e das gerações dos impulsos.
A propósito, Kumar é um dos autores de uma nova teoria sobre a linguagem do cérebro.
Contrariamente ao que se havia concluído antes, Mehta e Kumar demonstraram que aumentar a frequência dos estímulos não é a melhor forma para aumentar a força das sinapses e otimizar a plasticidade sináptica.
Quando se supera o ritmo natural do cérebro, o aumento da frequência na verdade diminui a intensidade das sinapses.
Esta descoberta de que a sinapse tem uma frequência ótima para o aprendizado levou os cientistas a compararem as frequências das sinapses com base em sua localização no neurônio - o neurônio lembra as raízes de uma árvore, com sinapses nas pontas de cada um dos chamados dendritos.
E os resultados mostraram que, quanto mais distante a sinapse está do centro do neurônio, mais alta é sua frequência ótima.
"Incrivelmente, quando se trata do aprendizado, o neurônio se comporta como uma gigantesca antena, com as diferentes pontas dos dendritos ajustadas para diferentes frequências," conta Mehta.

Música do cérebro

Veio então a descoberta mais surpreendente e "melódica" dessa rádio cerebral.
Para um aprendizado ótimo, as diversas frequências das diversas sinapses precisam atingir um ritmo preciso, com temporizações perfeitamente ajustadas, como em uma música.
Mesmo com a frequência ótima, se o neurônio perde o ritmo, o aprendizado é prejudicado.
E o cérebro não gosta de tocar sempre a mesma música. Tão logo uma sinapse "aprende" - registra sua intensidade mais forte - sua frequência ótima muda.
Em outras palavras, seu cérebro toca em uma frequência diferente, mais baixa, depois que aprende - o nível ótimo de disparos dos neurônios tem uma redução na frequência de cerca de 20%.
Embora essa pesquisa não tenha tido esse objetivo, os resultados levantam a possibilidade do desenvolvimento de medicamentos para "re-sintonizar" os ritmos do cérebro.
Esse processo de redução na frequência, segundos os pesquisadores, pode ter importantes implicações para o tratamento de desordens relacionadas à memória, como as desordens pós-traumáticas.
Ou, quem sabe, encontrando o ritmo correto, os seres com cérebros normais possamos nos transformar em algo mais próximos de cérebros mais "ritmados" - Mozart ou Einstein seriam objetivos razoáveis.

Moisés de Freitas
Diário da Saúde

Ouvir música faz o cérebro inteiro se iluminar


O cérebro se ilumina praticamente por inteiro quando a pessoa está ouvindo música, um fenômeno até agora sem equivalente em termos de atividade humana. [Imagem: Vinoo Alluri]
O Poder ativador da música
Cientistas da Finlândia descobriram uma nova técnica inovadora que permite estudar como o cérebro processa diferentes aspectos da música.
Em uma situação realística de "curtir a música predileta", a técnica analisa a percepção do ritmo, tonalidade e do timbre, que os pesquisadores chamam de "cor dos sons".
O Estudo é inovador porque ele revelou pela primeira vez como grandes áreas do cérebro, incluindo as redes neurais responsáveis pelas ações motoras, emoções e criatividade, são ativadas quando se ouve música.
Cérebro iluminado
Os efeitos da música sobre as pessoas sempre foram mais assunto de poetas e filósofos do que de fisiologistas e neurologistas.
Mas os exames de ressonância magnética permitem gerar filmes que mostram como os neurônios "disparam", literalmente iluminando cada área do cérebro nas imagens produzidas na tela do computador.
Para estudar os efeitos de cada elemento musical sobre o cérebro, o Dr. Vinoo Alluri e seus colegas da Universidade de Jyvaskyla escolheram um tango argentino.
A seguir, usando sofisticados algoritmos de computador, eles analisaram a relação das variações rítmicas, tonais e timbrais do tango com as "luzes" produzidas no cérebro.
Emoção na música
A comparação revelou algumas coisas muito interessantes, mostrando que a música ativa muito mais áreas do que aquelas relacionadas à audição.
Por exemplo, o processamento dos pulsos musicais aciona também áreas do cérebro responsáveis pelo movimento, o que dá suporte à ideia de que música e movimento estão intimamente relacionados.
As áreas límbicas do cérebro, associadas às emoções, estão também envolvidas no processamento do ritmo e da tonalidade.
Já o processamento do timbre depende de ativações da chamada rede de modo padrão, associada com a criatividade e com a imaginação.
Além do interesse científico, estas informações são valiosas para compositores, que poderão "mexer" em suas melodias dependendo da emoção que querem transmitir com suas músicas.
Redação do Diário da Saúde

domingo, 11 de dezembro de 2011

Próxima Atração: Novela Índigo ou Autista?



A TV Globo apresentou em 2003 e reprisou em 2008 a novela “Mulheres Apaixonadas”, na qual a atriz infantil Bruna Marquezine emocionou o Brasil noveleiro por representar a personagem Salete, uma Criança Índigo, que tinha percepção da Luz, premonições, paranormalidade avançada e via anjos, tendo no seu diretor Manoel Carlos, um conhecedor e defensor do tema importado dos Estados Unidos, que causou espanto na época.
Uma lembrança boa da novela foi à canção de abertura: Pela Luz dos Olhos Meus, interpretada por Tom Jobim e Miúcha. Inesquecível.
Cerca de 10 anos depois, a TV Globo está gravando a próxima novela das seis, desta vez comparando Crianças Índigo por terem intuição acima da média são confundidas com paranormais, com os dotados da síndrome de Asperger, que se distinguem do autismo clássico e não comportam retardo global no desenvolvimento, e que se tratados precipitadamente, podem ser diagnosticados pacientes de TDA, ou do TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade -, com base em invencionices inaceitáveis, e pior ainda, serem medicados com drogas que seus efeitos colaterais no futuro os levarão a drogadição e a estigmatização como mais uma diferença.
A moda índigo para crianças “normais e especiais” não pegou no Brasil, embora gere controvérsias para os defensores daquelas possuidoras de talentos especiais como fará a menina Klara Castanho, interpretando na novela a personagem que nasceu com consciência sobre o sentido da vida, iniciando a reestruturação de uma família, após cinco anos em estado de coma, e ao despertar para um mundo novo, não sendo compreendida, começa a receber apoio, repetindo assim as apostas vencedoras da emissora na temática espírita.
Ao ler as primeiras divulgações da nova novela, fiquei feliz, pois, pretensioso pensei que a TV Globo iria incluir no seu contexto de teledramaturgia, um fragmento do projeto mundial para a “conscientização do autismo” o que muito contribuiria para aliviar um pouco a dor que nós pais sentimos quando defendemos nossos filhos do preconceito de mal informados, cada vez que a sindrome é usada pejorativamente ou para desqualificá-los. Ledo engano meu.
A estréia será justamente na época em que os pais de autistas e aspergers estarão se engalfinhando com o despreparo das escolas para matriculá-los, na Educação Inclusiva, o que seria uma ótima oportunidade para a imprensa e a televisão, antecipando a novela, mostrarem como padecem as famílias para incluir seus filhos deficientes no sistema educacional.
 A preocupação principalmente dos pais, interessados, estudiosos e profitentes da Doutrina Espírita, é que quando não for transmitido o verdadeiro sentido de como as pessoas dotadas daquelas síndromes vivem, estará sendo criado mais um estigma absurdo contra quem não tem como se defender ao ser relacionado com irrealidades paranormais como é o caso das Crianças Índigo, que por refletirem uma aura azul, teriam uma espiritualidade mais desenvolvida.
Preocupa-nos saber que o padrão televisivo da qualidade global, pelo crédito que tem, seja protagonista de uma imensa confusão ao fazer a analogia entre autismo e crianças índigo, gerando dúvidas e impasses na continuação das conquistas já obtidas no progresso destes pacientes, que massacrados pela vida, ainda tenham que se defender de irrealidades, as vezes com danos irreparáveis.  
Comparar autista ou Asperger com Criança Índigo ou de outro matiz qualquer, é um preconceito sem precedentes, pois além de criar “um ser diferente dos outros”, quem acreditar, alargará mais ainda o abismo nas relações humanas, impedindo convivência.
Ultimamente a Psicologia está apresentando questões interessantes sobre inteligências mais sagazes, contudo assuntos como o das Crianças Índigo não passam de deslumbrantes jogos de palavras que surgem das atividades manipuladoras de massas em tempos de indecisões espirituais.
Colocar a síndrome do autismo ou Asperger no mesmo patamar sem conhecer a sua real condição como fenômeno, não é o caminho.
Não queremos acreditar que a TV Globo exiba numa novela o advento de crianças índigos caracterizadas por um sistema para classificar seres humanos, ou compará-las com autistas, descritos por Léo Kanner e Hans Asperger, cada um no seu espectro, que na verdade é um modelo defeituoso de educação determinado por facções doutrinárias importadas, sem buscar informações básicas com quem conheça a causa do autismo, inoculando na população como ressonância, o veneno do separatismo de personalidades fictícias e transitórias.
Antes de encarnar um Espírito, a criança escolhe o lugar e a família que preencherá as suas necessidades de crescimento e evolução, ou seja, nada que a diferencie da outra, sendo que seus pais devem responsabilizar-se por encontrar formas de estimular esta sensível e bela energia, além de ajudá-las no desenvolvimento dos seus dons e talentos, autista ou não, como parte da missão espiritual delas na Terra.
José Saramago ensinava: Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.
Que cada um faça sua parte. 
www.escrita.com.br

Fundo para inclusão de pessoas com deficiência em ações da ONU


    Juntas, as agências da ONU: PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), ACDH (Alto Comissariado de Direitos Humanos), UNDESA (Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais), OMS (Organização Mundial da Saúde), OIT (Organização Internacional do trabalho) e UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançaram ontem um Fundo pelos Direitos das Pessoas com Deficiência (MDTF).
Representantes dos Estados e de organizações de pessoas com deficiência da sociedade civil estiveram presentes ao lançamento, que aconteceu no Consulado da Austrália em Nova York.
      A Aliança Internacional de Deficiência (IDA) foi fundamental no estabelecimento do Fundo, destinado a dar maior atenção aos direitos das pessoas com deficiência por parte equipes da ONU nos vários países em que atuam. Em reconhecimento a sua representatividade, IDA será representada pela sua presidente, Diane Richler, no acompanhamento desta nova política. A IDA é composta pelas 12 organizações regionais ou internacionais:

  • - Disabled Peoples’ International (DPI) – Pessoas com Deficiência Internacional
  • - Down Syndrome International (DSI) – Síndrome de Down Internacional
  • - Inclusion International (II) – Inclusão Internacional
  • - International Federation of Hard of Hearing People (IFHOH) – Federação Internacional das Pessoas com Deficiência Auditiva
  • - The World Blind Union (WBU) – União Mundial dos Cegos
  • - World Federation of the Deaf (WFD) – Federação Mundial dos Surdos
  • - World Federation of Deafblind (WFDB) – Federação Mundial dos Surdos-cegos
  • - The World Network of Users and Survivors of Psychiatry (WNUSP) – Rede Mundial de Usuários e Sobreviventes da Psiquiatria
  • - Arab Organization of Disabled People (AODP) – Organização Árabe de Pessoas com Deficiência
  • - European Disability Forum (EDF) – Fórum Europeu de Deficiência
  • - The Latin American Network of Non-Governmental Organizations of Persons with - Disabilities and their Families (RIADIS) – Rede Latino-Americana de Organizações Não Governamentais de Pessoas com Deficiência e suas Famílias
  • - Pacific Disability Forum (PDF) – Fórum de Deficiência do Pacífico

      O Embaixador Gary Quinlan, representante da Austrália junto às Nações Unidas, anunciou uma contribuição de 2 milhões de dõlares de seu país ao Fundo.
      Os principais beneficiários desta fonte de recursos serão os escritórios da ONU e ONGs nacionais, que poderão trabalhar em parceria com os serviços nacionais de agências da ONU. Alguns dos objetivos incluem: capacitação para a ratificação e implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, apoio a iniciativas específicas sobre a deficiência em estratégias nacionais e reformas políticas e legislativas, apoiando o diálogo entre os Estados, sociedade civil e Equipes de País da ONU. Espera-se ainda tirar as pessoas com deficiência da invisibilidade, apoiando a coleta de dados gerais e específicos sobre o estado e a discriminação enfrentada por pessoas com deficiência.
      “O principal desafio neste momento é de angariar recursos o Fundo pelos Direitos das Pessoas com Deficiência”, disse Diane Richler, Presidente da IDA. “Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para encorajar os Estados, os doadores bilaterais e multilaterais e doadores privados a contribuir para o MDTF e, assim, apoiar a promoção de direitos das pessoas com deficiência no trabalho da ONU nos países em desenvolvimento. ”

Por Patricia Almeida 
Fonte – Inclusive e IDA


sábado, 10 de dezembro de 2011

Declarações de Sócrates provocam “autismo jornalístico”


José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa
Ex-Primeiro Ministro de Portugal
    Não sou economista mas, como pessoa atenta ao que se passa à sua volta, quando ontem ouvi José Sócrates num vídeo difuso e incompleto a falar da dívida não percebi o espanto de algumas almas. É que eu pensava que toda a gente sabia que, tal como outros países mais prósperos que nós, temos dívida há muitos anos. E que um país ter dívida é tão normal como ter receita e ter despesa.
    Por isso, quando ontem ouvi Sócrates, de Paris, meio na penumbra (devia ser câmara oculta porque a sessão era privada, soube-se hoje) dizer que era preciso “gerir a dívida” porque pagar a dívida pública é “uma ideia de criança” percebi que a frase iria ser imediatamente retirada do contexto e instrumentalizada à exaustão. Confirmei isso logo a seguir ao ver Freitas do Amaral, instado por Crespo, na SICN, a criticar Sócrates (que elogiava quando era seu ministro).
    Pois hoje, quando a RTP entrevistou Sócrates e este disse de viva voz o que já se tinha percebido ontem, isto é, que pagar a dívida de uma vez e em pouco tempo era “coisa de criança” e depois apareceu Passos Coelho a dizer ”acho que ninguém pode discordar” fui ver como é que Mário Crespo abria hoje o “Jornal das 9″.
    E não perdi o meu tempo. Crespo abriu o seu “Jornal” com as declarações de Sócrates à RTP a explicar o que dissera na tal sessão. Depois, quando se esperava que Crespo introduzisse o comentário de Passos Coelho – de inegável interesse jornalístico – não o fez. Preferiu repetir o vídeo de ontem, o da frase truncada. Mas não ficou por aí. Repetiu também o excerto de ontem do comentário de Freitas do Amaral a criticar a afirmação truncada de Sócrates.
    Isto é, Crespo substituiu a notícia de hoje pela notícia de ontem. Preferiu continuar com Freitas a comentar Sócrates a mostrar Passos a comentar (e a concordar) com Sócrates.
   Chama-se a isto “autismo” jornalístico (comportamento constituído por actos repetitivos e estereotipados que não suporta mudanças de ambiente e prefere um contexto inanimado) (sem ofensa para os autistas).

Publicado em 8 de Dezembro de 2011 por:

COMENTÁRIO

 
estrelaserrano@gmail.com diz:


Dezembro 9, 2011 às 22:10


Lamento ter atingido a sua sensibilidade. A expressão é obviamente metafórica. Bem sei que o autista pode ser mais inteligente que o não autista. A ideia não era ofensiva como se percebe, segundo creio. Mas aceito o reparo e agradeço.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A vida é a arte do encontro


    Em julho estive em Natal (RN), para conhecer um jovem rapaz que iria completar 32 anos em agosto, diga-se a mesma idade que eu, e que é um artista. Ele, cover do Rei Roberto Carlos, teve sua história escolhida, entre tantas outras, para ser gravada e exibida no programa Criança esperança 2011. Nessa viagem nossa pequena equipe se deparou com uma família, que iria se tornar muito mais do que uma linda história. Ademilson, Lourdes, Katiluci e Jobson Maia, se tornaram nossa nova família no Rio Grande do Norte.

      Jobson Maia, nosso artista autista, foi um dos melhores encontros que eu tive nos últimos tempos. Falar sobre o autismo sendo leiga no assunto é difícil. Chegar a uma cidade, entrar em uma casa, invadir a intimidade de uma família, que para muitos teria um problema, um filho “autista”, era uma missão que gerava em mim, confesso, uma certa expectativa. Mas o encontro se tornou feliz e entusiasmado, no simples ato de conhecê-los. Trinta e dois anos de passaram para essa família e eles nunca tiveram um problema e sim um presente. Está certo, às vezes é difícil recebermos presentes sem sabermos os porquês desse mundo. Se hoje ainda temos poucas informações sobre o autismo, há trinta anos, imaginem o que essa família não teve que buscar para conseguir diagnosticar o Jobson. Acreditaram até que ele era surdo, mas um dia, quando estavam escutando no rádio uma música do Rei Roberto Carlos, Jobson aumentou o volume. Os pais descobriram que ele não era surdo, sua questão era outra e ele descobriu seu amor pela música do Rei, que hoje o transformou em um grande artista.

      A missão dessa família linda só deixa como exemplo o que o amor e a inclusão fazem com “qualquer” ser humano; o deixam vivo. Jobson hoje, aos 32 anos, sai às ruas de Natal sozinho, pega ônibus, escolhe seus LPs nos sebos da cidade que freqüenta, usa a internet para se manter informado, cria a capa de seus DVDs, faz shows por diversas partes do Brasil, senta e conversa sobre o autismo entendendo sua condição, mas sendo essa jamais uma limitação para estar na vida como um cidadão.

     
O mais interessante de ir a Natal, gravar com a família do Jobson, além de poder contar uma história tão bonita, sobre uma família tão sensível e inteligente, foi que eu, Tatynne Lauria, me senti incluída.

 
Por: Tatynne Lauria
(Cord.de Produção do Criança Esperança 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Livro AUTISMO E CÉREBRO SOCIAL - Fátima Dourado

Este livro que aborda o autismo em toda sua complexidade, revelando como ele entrou na sua vida da autora redefinindo a sua história. Fátima conta a sua história de várias perspectivas: como mulher, como mãe, como médica e psiquiatra infantil e como fundadora da maior instituição brasileira de atendimento à pessoas com autismo. Nessa narrativa o desempenho desses papéis se entrelaça e se complementa colocando-nos diante de comoventes relatos do cotidiano dessa família transformada pela presença de dois filhos autistas; de experiências fascinantes vivenciadas na prática profissional da autora com seus “pequenos pacientes” como ela carinhosamente os chama; e de recentes descobertas na área da neurociência social que lançam novas luzes sobre o entendimento dos transtornos do espectro autista e apontam novas estratégias de intervenção. Fátima Dourado um ser humano extremamente generoso que compartilha conosco a sua experiência de vida, de trabalho e, sobretudo, de amor e de esperança

                                                            Arlete Rebouças Azevedo
Mãe do Thiago Azevedo (autista de 20anos)
ABRAÇA
Associação Brasileira para a
Ação por direitos das pessoas com Autismo.
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Lançamento do Livro Autismo e Cérebro Social, Compreensão e Ação de Fátima Dourado no
I CONGRESSO INTERNACIONAL DE AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO EM AUTISMO



 2 de dezembro às 16 hs

UNIFMU - Campus Ibirapuera
Avenida Santo Amaro, 1239 - Vila Nova Conceição -
São Paulo - SP








ONU - DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


“Juntos por um Mundo Melhor:
Incluindo
Pessoas com Deficiência no Desenvolvimento

Mensagem do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas Ban Ki-moon, por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (3/12/2011)

      Passaram-se 30 anos após as Nações Unidas comemorarem pela primeira vez o Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, então focando o tema “Participação Plena e Igualdade”. Durante este lapso, foram alcançados notáveis avanços na tarefa de divulgar os direitos das pessoas com deficiência e fortalecer o marco normativo internacional para a realização destes direitos, desde o Programa de Ação Mundial para as Pessoas Deficientes (1982) até a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006).

      Cada vez mais países se comprometem a proteger e promover os direitos das pessoas com deficiência. Não obstante, muitas tarefas permanecem pendentes. As pessoas com deficiência apresentam os índices mais altos de pobreza e de privações; e a probabilidade de que não tenham atendimento médico é duas vezes maior.
        Os índices de emprego das pessoas com deficiência em alguns países chegam a apenas um terço dos da população geral.   
      
        Nos países em desenvolvimento, a diferença entre os índices de frequência à escola primária das crianças com deficiência e os de outras crianças se situa entre 10% e 60%.

      Essa exclusão multidimensional representa um altíssimo custo, não apenas para as pessoas com deficiência, mas também para toda a sociedade. Este ano, a celebração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência nos relembra que o desenvolvimento só poderá ser duradouro se for equitativo, includente e acessível para todos. É, portanto, necessário que as pessoas com deficiência estejam incluídas em todas as etapas dos processos de desenvolvimento, desde o início até as etapas de supervisão e avaliação.

      Corrigir as atitudes negativas, a falta de serviços e o precário acesso a eles, e superar outros obstáculos sociais, econômicos e culturais, redundarão em benefício de toda a sociedade.

      Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, faço um apelo aos governos, à sociedade civil e à comunidade internacional para que trabalhem em benefício das pessoas com deficiência e colaborem com elas, lado a lado, a fim de alcançarem o desenvolvimento includente, sustentável e equitativo em todo o mundo.

...ooOoo...
Tradução:
Romeu Kazumi Sassaki