segunda-feira, 14 de abril de 2014

UM SÓ MUNDO (Autismo: Um filme para todos)



Com o lançamento do documentário Um Só Mundo, jornalista da Gazeta do Povo pretende esclarecer conceitos e derrubar mitos sobre o autismo
O garoto Gabriel é um dos personagens do filme Um Só Mundo
 A jornalista Adriana Cze­lusniak resolveu, há pouco mais de dois anos, fazer um curso de cinema. Tinha em mente um objetivo mais ou menos definido: pretendia utilizar os conhecimentos adquiridos, as habilidades técnicas que viesse a desenvolver, para potencializar um projeto maior, fundamental em sua vida: promover a conscientização da sociedade em relação ao autismo – um transtorno neurológico, que se manifesta nos primeiro três anos de vida de uma criança, e afeta o desenvolvimento normal do cérebro relacionado às habilidades sociais e de comunicação.
Desse anseio, nasceu Um Só Mundo, documentário de 27 minutos que, além de ser o trabalho de conclusão do curso, realizado por Adriana no Centro Europeu, em Curitiba, também é mais uma forma encontrada pela jornalista de falar sobre um assunto que lhe é muito caro não apenas no âmbito profissional. Ela é mãe de Gabriel, um garoto, de nove anos, com autismo.
Adriana Czeluzniak
 Adriana Czelusniak fez um curso de cinema para tratar de tema que lhe é caro
Diagnóstico tardio fez músico sofrer por não estabelecer relações
CONTRAPONTO
Um Só Mundo também traz um contraponto: é interessantíssimo o depoimento do músico Raphael Augusto Rocha Loures, adulto que tem autismo. Ele foi diagnosticado muito tardiamente. Baixista, Raphael conta que sofreu muito ao longo da vida por acreditar que eram traços de sua personalidade a dificuldade em estabelecer relacionamentos sociais mais duradouros, a necessidade de ficar só e a inconstância, que o levou a fazer vários cursos universitários e abandonar todos. Desde o diagnóstico, que o identificou como portador de uma forma mais branda do transtorno, tornou-se uma espécie de porta voz do autismo, e sente a necessidade de dar seu testemunho.

Também foram ouvidas a psicóloga Manoela Christi Lemos, a neuropediatra Mauren Bodanesi e o geneticista Salmo Raskin, que têm, em suas respectivas áreas, um trabalho clínico e/ou de pesquisa também voltado ao autismo. Seus depoimentos são esclarecedores e derrubam mitos.

Sobre o fato de ter preferido falar de um outro Gabriel, e não de seu filho, e de ter optado por não fazer um documentário autobiográfico, Adriana diz que ainda pretende contar sua história, seja na forma de documentário ou de um livro. Mas ela acha que não chegou a hora. Prefere, hoje, dedicar-se à causa do autismo.
 Serviço

Um Só Mundo Documentário de Adriana Czelusniak. 
Contato: uniaopeloautismo@gmail.com.

Setorista da área de Educação do jornal Gazeta do Povo, Adriana vem, sistematicamente, fazendo reportagens sobre o autismo, com o objetivo de aumentar o esclarecimento da população sobre o transtorno, e busca explorar diversos aspectos da questão. Desde o cotidiano das famílias, que muitas vezes não sabem – ou não conseguem – lidar com o diagnóstico, muitas vezes por falta de informações e apoio, até o despreparo das instituições de ensino e dos serviços públicos e privados, incapazes, por vezes, de dar ao autista a atenção, os tratamentos e as oportunidades de que tanto necessita.
Todos os anos, com a proximidade do dia 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, Adriana faz questão de produzir uma grande matéria, explorando o tema, buscando novos ângulos. Mas, neste ano, essa data teve um gosto especial: ela pôde apresentar, em um evento realizado no Salão de Atos do Parque Barigüi, Um Só Mundo, que alcançou repercussão muito positiva, despertando interesse maior do que ela esperava. “Muita gente queria ver e ter uma cópia do documentário.”
Identificação
Para a jornalista, o filme, por contar com recursos de imagem e som, acaba tendo a possibilidade de não apenas sensibilizar mais o público, mas de trazê-lo mais para perto, estabelecendo vínculos de identificação com o que está sendo exibido na tela.
Realizado graças à parceria estabelecida com colegas de curso, especialmente o cinegrafista e editor Adriel Graff e Timóteo Paulino, Um Só Mundo tem como personagem central outro Gabriel, que não é o filho de Adriana. Trata-se de um garoto que também frequenta o Centro Conviver, voltado ao atendimento educacional de crianças que têm autismo. “Mas cheguei à família, na verdade, pelo grupo União de Pais pelo Autismo, que é uma associação da qual sou uma das fundadoras.”
O filme acompanha mo­mentos do dia a dia de Gabriel, que tem um comprometimento severo que o impede de falar, o que dificulta muito a sua comunicação. São comoventes os depoimentos de seus pais, o empresário Alessandro Ilkiu e Mariléa Bittencourt Ilkiu, que teve de deixar de trabalhar para cuidar exclusivamente do filho.
Eles falam sem rodeios sobre o preconceito que ronda a doença, decorrente do desconhecimento, da falta de informação. “Muitos acham não educamos o Gabriel direito, e por isso ele é assim, agitado”, diz Alessandro.
FONTE:

http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1461730&tit=Um-filme-para-todos

Publicado em 14/04/2014 | Paulo Camargo

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